94 rem em tudo “agradar a Deus”, visto que assim procedeu a Santíssima Virgem Maria, a qual, “pela fé, humildade e obediência concebeu o Filho de Deus”9. Papczyński considera que é o Deus Pai a fonte definitiva de todo bem, inclusive do dom da vida religiosa, extraindo a fundamentação para tais convicções da Carta de S. Tiago (1: 17), o qual informa que “todo bem precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto, descendo do Pai das luzes”10. O Fundador apresenta um enfatismo característico do paternal amor de Deus e ao mesmo tempo do Criador (“Conditor”, “Creator”) direcionado ao homem na meditação sobre uma frase extraída do Evangelho de S. João, dizendo que “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (3: 16). Escreve Papczyński: “Ocupa o teu pensamento com a meditação do amor de Deus diante dos homens, o qual é tão grande que a linguagem humana, e até a angélica, não tem condições de expressá-lo, e a mente não pode compreendê-lo. Porquanto, se omitires os outros atos de amor e se nada mais nos tivesse sido revelado além de que, para a salvação de todo o gênero humano, Deus decidiu oferecer em holocausto Seu Filho Único, e de fato assim o fez, só isso certamente seria uma expressão de infinito, desinteressado e inconcebível amor. Reflete quanto amor Deus te demonstra todos os dias, quanto amor demonstrou no início do mundo que surgiu. Por amor a ti criou o enorme universo. [... ] Mas parece que o bondosíssimo Pai (“pientissimus Parens”) achou que o que fez por amor a ti seria ainda algo muito pequeno e insuficiente se para a tua salvação também não tivesse sacrificado à morte Seu Filho Unigênito. Assim esse bondosíssimo Pai amou o mundo, assim amou o gênero humano e assim amou a ti, ingrato!”11. Na corrente do amor paternal concedido por Deus, Papczyński percebe o dom da vida religiosa, pelo menos em relação a uma pessoa concreta. Apresenta tal argumento no comentário ao anúncio da Encarnação do Filho de Deus e do nome a Ele atribuído (cf. Lc 1: 31), onde, afirmando que “a Providência Divina antes ainda da concepção [de Jesus] deu um nome ao Salvador do mundo”, conclui que essa mesma forma de ação de Deus está presente no caso da vocação religiosa. Dirigindo-se então ao leitor, afirma: “A ti também, antes que tivesses nascido, foram atribuídas certas graças para a salvação da alma, [...] especialmente a vocação religiosa, na qual atualmente te encontras e que um dia, antes ainda do teu nascimento, te foi concedida por Deus”. Nessa ação em relação à pessoa religiosa Papczyński percebe “a solicitude antecipatória (“cura antecipativa”) do 9 Regula, passim. 10 Cf. IC, p. 721. 11 IC, p. 728.
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