A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

67 ferir à “resignatio” a graduação de virtude, situá-la no contexto bíblico e extrair os seus traços principais da postura de Cristo, bem como inseri-la no caminho da busca do perfeito amor sobrenatural é uma contribuição pessoal de Estanislau Papczyński. Não têm sido percebidas, no entanto, influências de outros escritores da área da teologia da espiritualidade, que são enumerados por A. Derville156, inclusive dos mais conhecidos, como p. ex. de S. Francisco de Sales. 2.3. Divina amicitia – união e amizade com Deus Na opinião do beato Estanislau Papczyński, bem como do autor da Regula decem beneplacitorum, um elemento essencial da vocação religiosa é a perspectiva da união e da amizade com Deus, estreitamente relacionada com o conceito do amor sobrenatural. Na base de tais convicções do Fundador dos marianos encontra-se a visão geral desse amor que, de forma quase que autônoma, pela sua natureza tende à união das pessoas, razão por que é por ele chamada de “laço que une as nações e as almas; aquilo que une (“unitrix”) o nosso espírito com Deus”157. Essa amorosa tendência à união tem a sua fonte derradeira na essência interior do Deus Uno e Trino e foi revelada na história da criação, da redenção e da santificação do homem, de que ele passa a participar graças à “junção com um só Espírito e com o amor do único Deus”. É justamente essa convicção que o Fundador dos marianos expressa, por exemplo, em Inspectio cordis, onde na reflexão De charitate afirma: “Graças [ao amor] surgiu toda a criação: surgiu a terra e o céu, foi criado o homem, Deus se tornou homem e − embora imortal – por ti sofreu a morte, não como Deus, mas como homem. Graças a esse amor desceu sobre os Apóstolos e os outros discípulos a Luz Celestial, o Mestre da Verdade e o Espírito de toda sabedoria, para que em razão dele, dentre tantos povos de mui variada procedência, como o corpo dos seus diversos membros, fosse edificado o único Corpo da Igreja de Deus e para que tantas santas comunidades, congregações e ordens, unidas por um só Espírito e pelo amor do único Deus, vivessem na máxima união”158. A união no amor tem o seu protótipo divino, e a sua mais plena realização é percebida por Papczyński na Pessoa de Cristo, que, unido com o Pai, tudo tem com Ele em comum e incessantemente “preocupa-se com o cumprimento da vontade do Pai”. Além disso, “o Espírito Santo esteve sempre unido (“coniunc156 Cf. A. DERVILLE, op. cit., 414-415. 157 IC, p. 1004. 158 Ibidem, p. 998. Importa observar que essas mesmas ideias foram expressas por Papczyński também em outros escritos seus, p. ex. em Norma vitae (II 1-5), Orator Crucifixus (passim), Christus Patiens (passim).

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