63 mor, a descontrolada tristeza, a impaciência e a ira”, apresentando no final a virtude da “resignatio”139, que é “a autora maior da paz interior e da perseverança”. Dentre as virtudes naturais, a que Papczyński mais salienta é a humildade, que considera como “a virtude própria e de certa forma natural de todo religioso” e como o “fundamento de todas as demais virtudes”. Ele percebe a essência dessa virtude na identificação com a verdade. A fundamentação de tais convicções – como ele mesmo afirma em Inspectio cordis – foi por ele encontrada na doutrina de S. Teresa de Jesus140. Em relação com o acima, Papczyński sublinha que “a humildade consiste num espírito aberto, transparente, verdadeiro e sincero e em atos semelhantes”. A virtude da temperança, por sua vez, “encontra-se na máxima amizade com a verdade” e por isso é chamada de “guardiã ou nutriz das virtudes”, ou ainda a sua dirigente (“moderatrix”)141. A seguir, a virtude da prudência é relacionada pelo Fundador dos marianos com a capacidade de um comportamento adequado, cujo objetivo é “fazer o bem e evitar o mal”. Na sua opinião, para que qualquer ação do homem possa ser chamada de “ato de prudência”, ela deve levar em conta os seguintes elementos: 1) o “objetivo de toda a vida”, ou seja, “servir a Deus segundo a Sua predileção e alcançar a felicidade celestial”; 2) “na escolha dos meios para atingir o objetivo é preciso guiar-se pelas leis divinas. É preciso pedir a Deus a luz para o conhecimento da Sua vontade em toda ação e recitar nessa intenção orações especiais, bem como pelo menos fazer preceder toda obra importante de uma detalhada análise, aconselhamento e pedido da opinião dos outros, desconfiando de si mesmo”; 3) no caso de “questões que sejam objeto de consulta, é preciso avaliá-las e adequadamente distingui-las: as questões inúteis das úteis, as más das boas, as mais importantes das menos importantes. É preciso ainda levar em conta o seu estado, a própria vocação ou enfim a medida das virtudes e graças possuídas”; 4) “é preciso escolher os meios melhores e mais adequados para atingir o objetivo que pretendemos; 5) “eficazmente inclinar a vontade e as demais faculdades da alma para a execução daquelas tarefa que já foram escolhidas e aceitas” e “com perseverança buscar a sua realização”; 6) “considerar a prudência deste mundo como imprudência, 139 Papczyński de bom grado utiliza-se do conceito de “resignatio” em Inspectio cordis, onde, em algumas passagens, define-a claramente como uma virtude. Além de Inspectio cordis, também como virtude aparece somente em Protestatio Romam abeuntis. Em razão da importância dessa virtude na concepção da espiritualidade de Papczyński, na continuação do trabalho o termo é deixado na sua forma original, latina. Vale a pena também assinalar que essa palavra não faz parte do latim clássico, e nos dicionários não possui um significado de caráter teológico-espiritual. 140 IC, p. 1005. Provavelmente trata-se aqui da doutrina de S. Teresa em Fortaleza interior, onde a Santa, ao falar o que é a humildade, afirma que “é andar na verdade”. Cf. TERESA OD JEZUSA. Twierdza wewnętrzna [Fortaleza interior], t. II. Trad. H. P. KOSSOWSKI. Kraków, 1962, p. 195. 141 IC, p. 1012.
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