60 tendentes ao afastamento da egoísta preocupação consigo mesmo e com as próprias necessidades na direção da “cooperação com Cristo Senhor na salvação das almas”. De maneira especial, no entanto, “o amor e o zelo na conversão dos pecadores e das pessoas que se afastam do caminho da perfeição” constituem o sinal claro das pessoas “verdadeiramente iluminadas” (“vere illuminati”), porquanto “essa obra faz parte das questões mais importantes, porque é nisso que se encerra tanto o amor a Deus como ao próximo, e dele depende toda a perfeição”131. Seguindo o pensamento do Fundador dos marianos, é preciso observar que na etapa da iluminação ocorre o subsequente processo da purificação e do desenvolvimento da virtude do amor, de maneira que cada vez mais se manifesta o seu caráter sobrenatural. Aos poucos assume ele traços cristiformes, visto que, em razão da graça divina, do mesmo amor que animou Cristo começam a participar os Seus discípulos. Nesse processo, desempenha um papel importante a forma especial da ação de Deus em relação ao homem. Eis que Papczyński introduz em Inspectio cordis a distinção entre o “duplo afastamento do Senhor da alma humana”: o primeiro quando, em consequência “das espessas trevas dos pecados e da abominável impureza das transgressões, não pode nela permanecer”, e o segundo, “quando quer experimentar a constância, a fé e a fortaleza da alma amada”, constata, no entanto, que – “quando se trata da alma amante e forte” – Deus quer introduzi-la num amor cada vez maior, mais puro e verdadeiro, no amor sobrenatural e na mais profunda humildade. E por isso acontece que “priva-a da sensação da Sua presença, dos Seus consolos e das Suas graças e permite que recaiam sobre ela inúmeras aflições, temores e tentações”. O efeito de tal ação é também a intensiva moldagem das virtudes, tais como a total confiança em Deus, “para que a Sua Majestade disponha [da alma] segundo a Sua predileção”132, e ainda a fortaleza, a perseverança, a fidelidade, a humildade e outras. Levando adiante esse pensamento, o beato Estanislau observa que, “quando a alma se sente abandonada, ela conhece que sem Ele nada pode fazer, nem mesmo pensar em algo de bom. Conhece a sua miséria e a experimenta, bem como compreende o quanto se distingue esse estado de abandono daquele em que vivencia a presença do Deus amoroso. Por isso, o conhecimento de si mesmo e de Deus adquirido por esse abandono desperta um maior amor a Ele”133. Como se pode então perceber, tal pedagogia da divina ação “iluminadora” produz frutos muito importantes para o progresso espiritual no amor sobrenatural, dentre os quais vale a pena assinalar o crescimento na sabedoria evangélica e na consequente capacidade de discernir os espíritos, juntamente com os efeitos 131 IC, p. 876. 132 IC, p. 712. 133 Ibidem, p. 713.
RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==