54 Por outro lado, ele enfatiza o assunto de maneira a colocar o caminho da purificação no contexto de toda a vida cristã, onde, além dos outros sacramentos mencionados em diversas alusões, o batismo se apresenta como o fundamento da vida espiritual. O amor sobrenatural, concebido em alusão à Pessoa de Cristo, é apresentando não como algo teórico, ou como um ideal abstrato, cuja tarefa seja conferir objetivos sublimes a pessoas escolhidas, mas torna-se uma realidade extremamente concreta, revelada e já realizada, além de descrita nas páginas do Evangelho. Graças a tal abordagem, o caminho da purificação torna-se não apenas uma etapa do crescimento no amor sobrenatural, mas ao mesmo tempo um período de identificação com Cristo. 2. 2. Anima tua resplenduit sicut sol, a Sole increato illuminata – iluminação Ao caracterizar a etapa da iluminação no desenvolvimento do amor sobrenatural na doutrina do Fundador dos marianos, é preciso chamar a atenção para as duas principais direções do seu pensamento. Em primeiro lugar, o beato Estanislau Papczyński de bom grado define com a denominação de “iluminados” (“illuminati”) aqueles religiosos que com docilidade de fé submetem-se à “iluminação” da parte de Deus; em segundo lugar – o tempo da iluminação está relacionado com o crescimento nas virtudes, como manifestações de amadurecimento para o amor perfeito, especialmente importantes nessa etapa da vida espiritual. O caminho da iluminação é também o tempo de uma busca mais responsável e consciente do amor sobrenatural, de empreender uma cooperação mais sistemática, perseverante e fiel com a graça divina com o objetivo de cada vez mais assemelhar-se a Cristo, modelo do amor evangélico. Esse é também o período de uma intensiva ação de Deus, que continuamente purifica ainda o homem das camadas mais profundas dos defeitos e dos efeitos do pecado e ao mesmo tempo o ilumina com a luz divina, conduzindo à amizade e à união com Ele. Na opinião de Papczyński, quem ilumina o homem, e especialmente a sua “mente”, o seu “coração” ou a sua “alma” é Deus, que realiza essa obra pela ação do Espírito Santo, o qual se manifesta em “Suas graças e Seus dons”. Papczyński menciona por vezes a ação iluminadora de Cristo e normalmente relaciona-a com a Eucaristia, mas basicamente assume a posição expressa no comentário a Jo 3: 19, contida em Inspectio cordis, de que, “embora o Evangelista diga que essa luz é Cristo, que ilumina todo homem que vem a este mundo (cf. Jo 1: 9), pode-se considerar que ele tinha em mente o Espírito Santo, que sempre esteve unido com o nosso Salvador. E a propriedade do Espírito Santo
RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==