A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

26 também o autor da Regula decem beneplacitorum concentrou a perspectiva da vida evangélica a exemplo de Maria em torno do amor como ponto de referência das pessoas religiosas. O conceito do amor deve ser entendido de forma adequada e por isso exige uma explanação e uma definição; esse ideal possui um significado que regula a correta compreensão do crescimento pessoal na vida espiritual em forma de um caminho em que são superadas sucessivas etapas, desde a purificação, pela iluminação até a união e a amizade com Deus, que é Amor (cf. 1Jo 4: 8), assumindo no final um caráter social, que organiza a vida da comunidade religiosa. Importa também observar que as acima mencionadas dimensões do amor, abordado como fundamento e fonte da espiritualidade religiosa, ainda que claras atualmente, não são apresentadas de forma inteiramente sistematizada, nem nos escritos do Fundador nem em outros documentos da primitiva tradição dos marianos. 1. O ideal do amor sobrenatural O ideal do amor evangélico – “charitas”, como uma espécie de projeto de vida religiosa, foi claramente apresentado por Papczyński no segundo capítulo de Norma vitae. Em torno do amor ele concentra a espiritualidade religiosa também na dimensão exterior, organizacional e jurídica. Essa forma de ver a vida religiosa torna-se mais visível se for levada em conta toda a construção dos primeiros estatutos religiosos dos marianos, propostos pelo Fundador, onde, na análise dos diversos aspectos da vida religiosa, lembra ele que o amor de Deus deve ser a única motivação e ao mesmo tempo o objetivo de todas as aspirações de um religioso. No entanto Papczyński não forneceu, nem em Norma vitae nem em qualquer outra obra, qualquer definição do amor, ou mesmo uma descrição que pudesse cumprir esse papel. Em consequência, o conceito do amor nele não é unívoco; escrevendo as suas obras em língua latina, utiliza-se também de diversos termos para a sua definição (“charitas”, “dilectio”, “amor”, bem como dos verbos “amare” e “diligere”), mas confere-lhes propriamente o mesmo religiosa (”charitas”). Isso é confirmado igualmente pelo decreto sobre o heroísmo das virtudes, o qual informa que “impregnado, no entanto, de autêntico amor [... ], pediu em 1669 a autorização para se afastar da Ordem das Escolas Pias e recebeu-a com base no breve apostólico do dia 11 de dezembro de 1670”. Cf. Bł. S. PAPCZYŃSKI. Apologia wystąpienia z Zakonu Szkół Pobożnych. In: PZ, p. 1448-1450; CONGREGAÇÃO DOS ASSUNTOS DOS SANTOS. Dekret Kanonizacji Sługi Bożego Stanisława od Jezusa i Maryi Papczyńskiego, Założyciela Księży Marianów pod wezwaniem Niepokalanego Poczęcia Błogosławionej Maryi Dziewicy (1631-1701). In: A. PAKUŁA MIC (red.). Abyście nie stali bezczynnie w winnicy Pańskiej. Materiały Komisji przygotowującej Zgromadzenie Księży Marianów do beatyfikacji Założyciela Czcigodnego Sługi Bożego Ojca Stanisława Papczyńskiego. Warszawa-Stockbridge, 2006, p. 91.

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