A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

185 po. Pronuncia-se da mesma forma o Capítulo Geral de 1722, o qual, afirmando que “o defeito do alcoolismo (”ebrietatis vitium”) é a mãe dos outros defeitos”49, ordena que ele seja evitado e, no caso de transgressão dessa proibição, impõe sanções penais, inclusive o cárcere. Muitas das mencionadas mortificações e dos exercícios presentes em Norma vitae são repetidos pelo beato Estanislau em outros escritos dirigidos à jovem comunidade religiosa, recordando principalmente aqueles que, na sua opinião, ou eram negligenciados, ou eram por ele considerados como especialmente importantes e necessários para o crescimento na vocação religiosa dos primeiros marianos. Digno de atenção é o fato de que, embora quantitativamente Papczyński dedique mais espaço a normas detalhadas referentes à mortificação do corpo, o que provavelmente levou K. Górski à conclusão de que ele era um “severo asceta”50, ele reconhecia como mais importante e decisiva a mortificação interior, afirmando que “sem ela de forma alguma é possível livrar-se do velho Adão”51. A quantidade dos meios ascéticos presentes em diversos escritos do Fundador dos marianos é, por um lado, uma resposta ao estímulo de S. Paulo na Carta aos Colossenses (3:5), convocando à mortificação daquilo que é “terreno” e pecaminoso, e – por outro lado – tem por tarefa manter o religioso na constante perspectiva da vida sobrenatural, à qual é chamado. Parece que o mesmo pensamento iluminava Leporini em Vita Fundatoris, onde ele cita numerosos detalhes da vida do beato Estanislau demonstrando que ele levou uma vida religiosa em que estiveram presentes variadas mortificações. Mas, consideradas no contexto da vida espiritual, elas são a confirmação do caráter extraordinário ou sobrenatural das posturas descritas ou ainda têm por objetivo estimular os leitores à prática de determinadas mortificações, aliás já conhecidas aos adeptos da vida mariana de Norma vitae, a fim de atingir a santidade própria da vocação52. Basicamente, no entanto, a Vita Fundatoris distingue-se por um grande equilíbrio na apresentação das mortificações adotadas por Papczyński; o autor dá maior ênfase à sua vida espiritual, como a total e confiante entrega a Deus, o extraordinário amor a Nossa Senhora, as especiais graças da oração, bem como a contemplação e a atividade fundacional. Por sua vez em Regula decem beneplacitorum, ao falar das diversas virtudes, o autor subordina a elas diversas mortificações que devem 49 Capitulum generale sextum in Conventu Goslinensi a. 1722. In: W. MAKOŚ MIC (ed.). Decreta – Ordinationes Capitulorum Congregationumque Generalium M.I.C. 1702-1999. Puszcza Mariańska, 2001, p. 52 (dat. AGM); cf. também: Z. PROCZEK MIC. Apostoł trzeźwości..., op. cit., p. 82. 50 Cf. K. GÓRSKI, op. cit., p. 222. 51 NV, IV 1-6. 52 Sirva de exemplo a composição do item 17 de Vita Fundatoris, onde Leporini começa pela afirmação: “Erat in victu modicus, in oratione assiduus, in solitariis latitando recessibus, a Deo in benedictionibus dulcedinis praeventus, supernarum rerum contemplationi, attento sic animo ahaerere caepit”, para dessa forma enfatizar a superioridade dos assuntos espirituais. VF, p. 636.

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