176 ao Seu sacerdócio e à Sua paixão. Numa das reflexões afirma sucintamente: “Na oração, imita o Sumo Sacerdote”, apontando que na oração sacerdotal de Jesus a oração humana atinge a sua dimensão máxima. Por sua vez, nos acontecimentos da paixão tanto a recordação como o sinal do autêntico amor aos inimigos atinge o seu formato graças à oração. Em relação com isso, ensina que é preciso rezar por aqueles que nos infligem perseguições, “imitando o exemplo de Cristo Senhor, que intercede por aqueles que O crucificaram”16. A oração, portanto, não é apenas uma forma de estabelecer contato pessoal com Deus e certa forma de “conviver” com Ele, mas cumpre igualmente o papel de assemelhar a pessoa a Cristo e de moldar as posturas de Cristo descritas no Evangelho. Fornece um conhecimento e uma compreensão mais profunda da Sua vida e introduz no mundo sobrenatural. Uma apropriada qualidade da vida espiritual relaciona-se necessariamente com a prática da oração, isto é, com o consciente estabelecimento de uma relação pessoal com o Deus Uno e Trino, que se entrega ao homem. Quem através da oração estabelece um vínculo de amizade com Deus, sempre pode pedir os necessários dons e as graças relacionadas com a realização da vocação a que Deus o chama. Além disso, Papczyński acredita que Deus espera dos Seus escolhidos justamente essa postura e a oração deles, porquanto “as orações humanas possuem tão grande valor diante de Deus que mesmo pronunciadas pela boca de quem não tem fé chegam à Majestade Divina e de modo algum ficam sem dar fruto”17. No entanto, para que a oração do religioso seja coerente com a vocação que lhe foi concedida, o Fundador dos marianos sugere que, ao rezar, o religioso deve pedir, sobretudo, três coisas: o dom da luz, para “trilhar o verdadeiro caminho da perfeição religiosa”; o dom da linguagem, para que, “repleto de diligente piedade, possas entregar-se à oração continuada e livre de distrações”, e o dom da libertação de todos os vis ataques do espírito mau, “para que se possa a eles resistir em toda tentação difícil de vencer e evitar toda atividade religiosa contrária a uma vida santa”18. Os exemplos bíblicos de oração a que chama a atenção o autor de Inspectio cordis são, por exemplo, a “santa viúva profetisa”, que “no templo fazia orações”, e a sua oração era “autêntica e perfeita” (cf. Lc 2:37); o cego “sen16 IC, p. 798, 817. 17 Ibidem, p. 718. O significado da oração na vida do cristão e o seu quase inexplicável poder são enfatizados por Papczyński em muitos escritos. Um dos trechos característicos é o extraído de Templum Dei Mysticum, no qual analisa a oração sob o símbolo do incenso: “Justamente aquelas almas que se entregam à ardente oração podem num só momento mais ajudar a toda a Igreja do que todos os pregadores com suas pregações, os doutores com suas preleções, os confessores com seu ministério do sacramento da penitência. Podem devolver a vida aos falecidos, induzir os maus à emenda, podem destruir exércitos inteiros, afastar a fome, apartar a peste, podem fazer tudo, apoiados durante a oração por dois braços: a fé e o amor”. TDM, p. 1108; cf. também: K. KLAUZA, op. cit., p. 76-77. 18 IC, p. 671.
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