A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

175 santos no céu e fornece o seu prenúncio, moldando assim uma postura autêntica de fé e amor. Sendo um dom especial concedido pelo Espírito Santo, consistindo em voltar o “olhar interior” a Deus, de maneira a “comtemplar a Deus” e “conhecer a Deus”, traz frutos sobrenaturais, como uma compreensão mais profunda do mistério de Cristo, visando dessa forma à imitação “da vida e das obras do Senhor”12. Em Inspectio cordis, o beato Estanislau relaciona estreitamente a questão da oração com o mistério de Cristo, que é apresentado não apenas como o perfeito modelo de oração, mas também como Aquele que a ordena. Observa, com efeito: “Após a Sua ressurreição, o Mestre Celestial deu aos Apóstolos muitas instruções antes de desaparecer dos seus olhos, triunfalmente entrando no céu. Mas, entre outros assuntos, em primeiro lugar recomendou-lhes a prática da oração e a perseverança nela. No entanto fez isso com prudência e não sem cuidadosamente levar em conta os futuros acontecimentos, porque previu as futuras cruzes e as perseguições deles, bem como numerosos outros gêneros de mal, e ensinou que, para poder evitá-los ou suportá-los, não existe nada mais adequado que a oração, sobretudo que a oração elevada em Seu nome. Deixou-lhes a oração como quase o único meio preventivo para todas as desgraças e necessidades, ou ainda como forma de buscar e de conhecer toda a perfeição. [...] Munido dessa âncora, passarás com segurança por todas as tempestades; munido desse escudo, passarás incólume pelo fogo e pela água, pelos inúmeros perigos de morte”13. Como observa Papczyński, Cristo estimula à oração e Ele mesmo dá o exemplo dela, frequentemente se dirige em oração ao Pai, inicia os assuntos mais importantes pela oração, muitas vezes afasta-se para lugares isolados para na solidão orar, passando por vezes noites inteiras em oração14. Pelo Seu exemplo e pelo Seu ensinamento, Cristo aponta para as características que deve ter a oração dos Seus discípulos. São elas, sobretudo: estar em estado de graça divina, elevar pedidos ao Pai em nome de Jesus, ser confiante, constante e perseverante, assumir a adequada postura espiritual e corporal – como convém a uma pessoa que sabe que se encontra “diante do Senhor, Rei do universo”; além disso, afastar-se dos assuntos cotidianos, para “ingressar no cômodo do seu coração”15. No entanto, Papczyński relaciona sucintos apelos à imitação de Cristo que reza 12 IC, p. 692, 721. Para a necessidade da contemplação na vida religiosa na época contemporânea apontam as pesquisas dos teólogos da espiritualidade, a respeito do que testemunha, por exemplo, o artigo: J. POPŁAWSKI. Kontemplacja w życiu zakonnym według nauczania papieża Pawła VI. Homo orans 3 (2002), p. 175. 13 IC, p. 717-718; cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Koncepcja życia chrześcijańskiego..., op. cit., p. 95-96. 14 IC, p. 637-638, 691, 908-910. 15 Ibidem, p. 625-626, 636-637, 659-660, 714-716, 769-770, 803, 875; cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Teologiczne podstawy życia..., op. cit., p. 156-158.

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