151 A Regula decem beneplacitorum, adotada em 1699 pela Congregação dos marianos, e que garantia certa aprovação pontifícia, possui uma devoção mariana assinalada eminentemente pela imitação. Embora os biógrafos de Papczyński enfatizem que ele reconheceu nessa regra a semelhança com a espiritualidade mariana, e Leporini, em Vita Fundatoris, informe que, só com a notícia sobre a aprovação pontifícia da Congregação com base nessa regra, “repleto de enorme alegria” ele cantou o “Te Deum laudamus”64, no entanto, a julgar pela declaração feita ao núncio apostólico durante a profissão dos votos religiosos, ele preservou quanto a ela uma considerável reserva. Isso não significa que fosse contra o ideal da imitação de Maria. Muito pelo contrário, ele mesmo propagava esse ideal e não está excluído que justamente nisso ele tenha percebido a semelhança. A sua reação expressa antes o relacionamento com a própria aceitação da regra, visto que desde o começo buscou a aprovação da sua comunidade com base apenas na Norma vitae. Apesar disso, a aceitação da Regula decem beneplacitorum fortaleceu a dimensão eclesiotípica da piedade mariana da comunidade fundada pelo beato Estanislau Papczyński e influenciou diretamente a sua espiritualidade. O caráter imitativo da regra é visível tanto na forma de representar Maria, apresentada como modelo de vida religiosa em seus diversos aspectos, como na própria composição da obra, dividida em dez capítulos, cada um dos quais corresponde a determinada virtude de Nossa Senhora. Já no “Prólogo” o autor afirma que a regra contém “verum modus Virginem imitandi et ad illius exemplum Deo placendi”. Nesse tom é mantida a exposição de todos os capítulos, que se referem às dez virtudes de Maria extraídas do Evangelho e apresentadas aos religiosos para a imitação na seguinte sequência: –– a castidade (“castitas”) aliada à virgindade, baseada na convicção do autor de que Maria fez o voto de virgindade, o que na sua opinião encontra confirmação no Evangelho da anunciação e na pergunta a Ela dirigida pelo arcanjo Gabriel, quando Ela responde que “não conhece homem algum” (cf. Lc 1: 34)65; –– a prudência (“prudentia”), extraída de trechos do Evangelho que falam do comportamento de Maria diante do arcanjo Gabriel, quando “pôs-se a pensar 64 Vita Fundatoris, p. 649. Essa mesma reação de Papczyński, só que ainda mais fortalecida quanto à aceitação da regra, é fornecida por Wyszyński, que escreve: “Quando recuperou a saúde, o Venerável Servo de Deus padre Estanislau de Jesus e Maria convocou para um capítulo os seus coirmãos, apresentou-lhes e recomendou-lhes ler mui atentamente a Regra da imitação das dez virtudes da Santíssima Virgem Maria. Com grande entusiasmo e indizível alegria, todos os ouvintes admiravam-se por ser a Regra tão adequada. Unanimemente expressaram o desejo de aceitá-la. Queriam imediatamente professar segundo ela os votos solenes. Escreveram então ao Núncio Apostólico o seguinte memorial”. K. WYSZYŃSKI, op. cit., p. 126-127. 65 Regula, p. 45.
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