A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

146 no perfeito amor a Deus e ao homem. O Fundador dos marianos apontava que a sublimidade do exemplo de Maria não se relaciona apenas com a Sua escolha para ser a Mãe do Salvador e com as graças ou os privilégios especiais com isso relacionados. Ele atribuía um significado importante às Suas “virtudes”, isto é, a determinados comportamentos que, correspondendo ao estilo da vida cristã, são assinalados por uma especial fé e pelo amor. Papczyński percebe exemplos de tais posturas, dignas e apresentadas para a imitação, primeiramente no relacionamento d’Ela com Cristo. O vínculo especial com Ele estabelecido pela cooperação, tanto na Encarnação como depois durante toda a Sua vida, incluindo os acontecimentos da cruz, quando Lhe fez fiel companhia em tudo, faz com que Papczyński apresente a Mãe do Senhor como o modelo do relacionamento com Cristo. Meditando, então, a paixão de Cristo e a presença de Maria junto à cruz, exclama: “Junta-te a Ele, alma minha, porque também a Mãe Santíssima Lhe faz companhia. Dispõe-te a ajudar-Lhe a carregar a cruz, porque também a Mãe Puríssima deseja isso”50. Maria está sempre próxima a Cristo, unida a Ele pelos laços especiais do amor e da prática do Evangelho. Reconhecendo na pessoa de Cristo a verdade do Evangelho e o seu cumprimento, Papczyński apresenta de forma semelhante a Maria, vendo n’Ela a realização da doutrina de Cristo e uma espécie de peculiar e singular semelhança com Ele. Justamente por essa razão, na apresentação de determinada postura ou virtude, frequentemente sintetiza as reflexões com um breve estímulo: “Imita, portanto, como deves a Maria e a Jesus, esses dois protótipos (“protothypa”) básicos”51. Descobre apelos semelhantes à imitação de Maria no Seu relacionamento com o Espírito Santo. Numa das reflexões, sobre a concepção de Jesus “pelo Espírito Santo” (cf. Mt 1: 18), observa que Maria, “cheia de graça, cheia do Espírito Santo”, vivia segundo o Espírito Santo e segundo Ele agia; Suas ações tinham a sua fonte n’Ele e visavam a objetivos por Ele assinalados à Mãe do Senhor. Por isso, referindo- -se à postura de Maria, formula um estímulo também ao leitor: “Oh, se fosse possível dizer a respeito dos teus atos que eles provêm do Espírito Santo, que foram realizados no Espírito Santo! Verdadeiramente, é uma grande felicidade possuir o Espírito Santo, uma felicidade maior ainda agir segundo o Espírito Santo, e a felicidade máxima – completar os seus dias no Espírito Santo. O que devo dizer, o que devo pensar a respeito d’Aquela que traz em Seu seio virginal o Filho concebido pelo Espírito Santo? [...] Fazei com que vivamos e morramos segundo o Espírito Santo”52. Por isso, todo aquele que deseja levar uma verda50 IC, p. 1051; cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Matka Boża Bolesna w nauczaniu o. Stanisława..., op. cit., p. 150-151. 51 IC, p. 1014. 52 Ibidem, p. 840.

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