143 É preciso também observar as representações de Maria relacionadas com a Sua maternidade espiritual, que se encontram nos textos de Papczyński e a respeito dos quais K. Pek, não sem razão, afirma que “do ponto de vista teológico são pelo menos obscuros”41. Embora nos escritos religiosos eles tenham um significado basicamente marginal, a sua presença em outros escritos projeta-se na forma integral de ver a maternal presença de Maria Imaculada. Trata-se aqui das representações de Nossa Senhora em que Papczyński se utiliza de textos em si cristocêntricos, ou ainda teocêntricos. Essas representações se baseiam então em autoridades por todos aceitas na teologia e na espiritualidade daquele tempo, como p. ex. S. Bernardo de Claraval, S. Alberto Magno, e visam a apresentar a dignidade e o significado de Maria na obra da redenção, onde Ela é apresentada como a medianeira de todas as graças42, ou algumas vezes contrapõem a bondade da Mãe Santíssima à severidade de Deus43. Com razão observa Pek que esses textos “afastam-se do ideal condutor teológico do Pe. Papczyński”44, visto que possuem sobretudo um caráter pregador-retórico, tendo como tarefa despertar no ouvinte uma vivência religiosa que induza à conversão e à volta a Deus; não ocorrem, entretanto, em escritos fundamentais relacionados com a fundação, porquanto ali a corrente principal das referências marianas concentra-se nas reVirgem, Sua Mãe Maria, como seus verdadeiros e únicos Fundadores, Dirigentes, Protetores e Padroeiros desta pequenina Congregação da Imaculada Conceição, Defensora dos Falecidos”. Bł. S. PAPCZYŃSKI. Testamentum Alterum, p. 1495-1496. 41 K. PEK, O czci i naśladowaniu Niepokalanej..., p. 71. 42 Por exemplo, em Templum Dei Mysticum escreve: “Temos tudo por Maria e, depois de Deus, é n’Ela ‘que temos a vida, o movimento e o ser [At 17: 28]’. ‘Ela [...], depois de Deus – assim acredita Alberto Magno – é o fundamento de toda graça em nós’. Por isso S. Bernardo, que tinha uma grande devoção a Ela, diz: ‘Com toda a profundeza dos nossos corações, com toda a força dos nossos afetuosos sentimentos e com todas as nossas aspirações honremos Maria, visto que tal é a vontade d’Aquele que quis que tudo tivéssemos por Maria’”. TDM, p. 81; cf. também: K. PEK MIC. O czci i naśladowaniu Niepokalanej..., op. cit., p. 71-72; K. KLAUZA, op. cit., p. 85-86. 43 O mais característico a esse respeito é um trecho de Orator Crucifixus: “O mui erudito Ricardo [de S. Lourenço] [...] desta forma raciocina: ‘Muitas vezes aqueles a quem a justiça do Filho condena, a misericórdia da Mãe liberta. Dessa forma a justiça do Filho e a misericórdia da Mãe travam como que uma luta. A justiça do Filho como que diz: Eu mato e eu firo. E a misericórdia da Mãe como que responde: Mas eu animo e eu curo. E acrescenta ainda a misericórdia da Mãe: E não existe quem possa arrancá-lo da minha mão. Concluindo essa forma de diálogo, o arguto Pai estimula e anima o pecador que da ira de Deus recorra a Maria como o mais seguro Asilo. Diz Ele, com efeito: Recorre, então, à proteção da Sua onipotência e nada precisas temer – absolutamente nada, nada: nem a veemência do acusador, nem a magnitude do crime, nem a severidade do juiz, nem a imensidão dos tormentos do inferno, nem a eterna prisão dos condenados. Ó poderosíssima e bondosíssima Cidade do refúgio! Sob a Sua proteção o pecador não precisa temer nada, nada, nada! Ó Mãe mais misericordiosa que se possa dizer ou pensar! Visto que em Teu seio se refugiaram os pecadores filhos de Adão, eles estão livres de qualquer receio e do perigo da morte eterna. Recebem a garantia da feliz eternidade. Realmente, o nosso Deus, cuja bondade e afabilidade não conhece quaisquer limites, para que um dia não tivesse que nos castigar ou severamente destinar à perdição segundo o rigor da Sua justiça, a nós, que vergonhosamente caímos, em Sua solicitude concedeu-nos a Virgem Maria como a nossa intercessora junto a Ele, da mesma forma que para os judeus preparou outrora a Ester, como intercessora junto ao rei dos persas e dos medos”. OC, p. 1222-1223. 44 K. PEK MIC. O czci i naśladowaniu Niepokalanej..., op. cit., p. 71.
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