124 recupera aqueles trechos do Evangelho que contêm elementos pneumatológicos e os aplica à vida do religioso – discípulo e imitador do Mestre de Nazaré. Estava Papczyński convencido de que o mesmo Espírito Santo, que dirigiu Jesus e guiou a vida e o procedimento dos Apóstolos, da mesma forma vai atuar na vida da pessoa religiosa. Por essa razão, nos textos relacionados com a espiritualidade religiosa introduz ele uma variedade de referências a diversos trechos do Evangelho que se relacionam com Cristo e com o Espírito Santo, aplicando-os também à vida religiosa. O Espírito Santo, como observa o beato Estanislau Papczyński, “esteve sempre unido com o nosso Salvador”. Nesse contexto percebe que o Espírito Santo cumpre as funções que são atribuídas apenas a Ele, porquanto “a competência do Espírito Santo é iluminar, inflamar e dirigir”. Por isso, “nem Cristo Senhor dirigiu a si mesmo, mas teve o Espírito que O conduziu para da melhor forma possível cumprir a vontade do Pai Eterno”100. As posturas de submissão de Cristo e da Sua direção pelo Espírito são percebidas por Papczyński em toda a vida de Cristo, inclusive no momento da Encarnação, quando “a Santíssima Virgem Maria, do Espírito Santo, em Seu seio concebeu o Filho de Deus”. Em consequência disso, então, descrevendo alguns comportamentos de Jesus afirma que “foi o Espírito Santo que inspirou Cristo Senhor” a ações salvíficas101. O Fundador dos marianos percebe uma característica semelhante da ação do Espírito na vida espiritual do religioso que assume o caminho da imitação de Cristo. E, comentando os benefícios do Espírito Santo, afirma que “a Sua propriedade é conduzir-nos à aceitação da verdadeira fé, ao conhecimento da verdade, à conscientização pessoal e à renúncia ao pecado, estimulando-nos à emenda de vida, iluminando os corações com uma luz especial, transformando a residência do demônio em residência de Deus, concedendo santas inspirações, ajudando a empreender e realizar bons propósitos, bem como a realizar muitos outros atos que Lhe são próprios, enquanto não conduz a alma ao perfeito uso da presença de toda a Santíssima Trindade”102. O objetivo desta ação da ação do Espírito é a “assimilação” (“conformare”) do religioso a Cristo; o critério da veracidade dessa ação e da sua real proveniência do Espírito Santo é a aspiração do homem não apenas “a contemplar a vida e as ações do Senhor, mas também, na medida do possível, a imitá-las”. Papczyński extrai o modelo de tal postura da atitude dos Apóstolos, que, tornando-se semelhantes a Cristo, “fortemente estimulados por esse Espírito Celestial, imediatamente e sem temor começaram a proclamar a glória de Jesus e, açoitados em razão da proclamação, 100 IC, p. 694, 731. 101 Ibidem, p. 660, 839-840. 102 Ibidem, p. 739. Cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Teologiczne podstawy życia..., op. cit., p. 79-82.
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