A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

117 esta postura fundamental – a obediência. No espaço da imitação do relacionamento de Cristo com o Pai, Papczyński localiza também a oração. Aqui também Cristo é o modelo inalcançável, que não apenas familiariza com a realidade divina, mas ensina também a própria forma de oração, especialmente assinalada pelo devotado amor ao Pai e ao homem. O Fundador dos marianos enxerga o ideal supremo na oração intercessora, sacerdotal de Cristo, razão por que em Inspectio cordis escreve: “Na oração, [imita] o Sumo Sacerdote”. São especialmente próximos a Papczyński os momentos da oração difícil de Cristo, p. ex. durante a tentação no deserto, no Horto, na cruz77. Afinal, o relacionamento com o Pai envolve igualmente uma imitação de Cristo em que a totalidade da vida espiritual, quaisquer sofrimentos e todas as ações, juntamente com Cristo sejam relacionados justamente com o Pai. De fato, como constata o Fundador dos marianos, os religiosos só cumprem o sentido da sua vocação quando, estando “assimilados a Cristo”, morrem para aquilo que não é divino para, a exemplo de Cristo, viverem para Deus78. No espaço dos relacionamentos exemplares de Cristo, propostos para imitação, Papczyński localiza também o Seu relacionamento com o homem, que trata como secundário, porque condicionado pelo relacionamento primitivo, voltado para Deus. Como postura fundamental, menciona ele o amor de Cristo ao homem, revelado principalmente na Sua paixão. O modelo desse amor, inclusive aos inimigos, tem n’Ele mesmo o total cumprimento, até a morte na cruz, visto que Cristo é “o Autor da salvação para todos”. O Seu amor, que ultrapassa todos os limites do tempo e do espaço, nunca cessa e, “caso isso fosse necessário, estaria pronto a derramar mais uma vez o Seu Sangue por uma só alma”79. Por isso, imitar a Cristo significa assumir a obra da cooperação na tarefa de salvar todo ser humano. E a solicitude pelos outros exige igualmente a realização de todas as orientações de Cristo relacionadas com os semelhantes, de maneira especial a do amor aos inimigos e do adequado, isto é, bondoso e compreensível, tratamento dos outros. Papczyński buscou conseguir uma motivação adicional para assumir a imitação do Seu exemplo aludindo não apenas ao exemplo do próprio Cristo, mas também ao fato de que com o dom da redenção, alcançada pelo Salvador, é agraciado também o destinatário dos seus escritos. Por essa razão, o estímulo para assumir uma postura semelhante a Cristo soa como eminentemente expressiva e comprometedora: “Por ti o teu Salvador, o bondosíssimo Pastor, sacrificou a Sua vida, entregou o Seu espírito; Ele o fez princi77 Ibidem, p. 817, 908-909. Cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Teologiczne podstawy życia... , op. cit., p. 63. 78 IC, p. 900-903, 985-989 e outras. Cf. também: A. PAKUŁA MIC. Naśladowanie Chrystusa... , op. cit., p. 134. 79 IC, p. 677-678.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==