19 INTRODUÇÃO A situação político-social e confessional na Polônia A República da Polônia, ou seja, o Estado polono-lituano, compunha-se de duas nações − a polonesa e a lituana. Na realidade, esse nome abrangia o Estado polono-lituano-ucraniano, onde residiam igualmente diversas minorias étnicas (judeus, alemães, ucranianos, tártaros, bielorrussos)1. Na História da Polônia do século XVIII podem distinguir-se dois períodos: o primeiro é o período saxão (1697-1763), que se caracterizou por uma crise de governo e por uma anarquia, em consequência do que ocorreu a dissolução do Estado; o segundo, por sua vez, envolve o governo de Estanislau Augusto (1764-1795), reconhecido como um tempo de reformas e de pleno desenvolvimento do Iluminismo, mas esse foi também o período das partilhas. Os magnatas do partido político denominado Família estavam preparando nos anos 1762/63 um projeto de reforma constitucional2. Era contrário a esse projeto tanto o partido dos magnatas poderosos chamados “Republicanos”, como também o partido saxão, a chamada Camarilha dos Mniszech3. 1 A partir da União de Lublin, em 1569, o Estado chamado República Una e Indivisível, definido nos documentos como Polônia. Por exemplo, nos documentos pontifícios: I. A. Caligari. Nuntii Apostolici in Polonia. Epistolae et Acta 1578-1581; Pastor, Storia dei papi, IX, 672-688; com relação à história social, cf. L. Leger, La Pologne: Henri de Valois, Bathory, Les Vasa 1572-1648. In: Les Guerres de Religion 1559-1658 (Histoire générale du IV siècle à nos jours − vol. 5), Paris, 1922. No presente trabalho, a palavra “Polônia” nas citações e nos títulos é utilizada no sentido acima. 2 “Família” − partido dos duques e magnatas ligados por laços de sangue. Entre os mais importantes promotores da política da “Família” estavam o duque Augusto Alexandre Czartoryski e seu irmão Miguel Czartoryski. Além disso, pertenciam ao agrupamento: Estanislau Lubomirski, Miguel Ogiński, André Zamoyski, André Estanislau Zaluski, Estanislau Poniatowski (rei desde 1764), todos os mais eminentes magnatas da República da Polônia que gozavam de um amplo apoio da nobreza; cf. J. Michalski, Familia, in: Enc.Pow., t. 3, Varsóvia, 1964, 578-579; W. Konopczyński, Czartoryski Aleksander August (1697-1782), PSB, t. IV, 272-275. Esse duque foi o criador da enorme fortuna da família Czartoryski, bem como a principal figura da Família. A respeito das lutas entre os agrupamentos dos magnatas durante a Dieta pode-se ler em: H. Olszewski, Sejm Rzeczypospolitej epoki oligarchii 1652-1763, Poznań, 1966. 3 Jorge Mniszech foi ministro saxão (junto ao rei Augusto III); ele distribuía prebendas e bens do Estado entre diversos magnatas que eram seus clientes. Dessa forma “montou um partido incolor da corte, um agrupamento político. Uniam-se a ele massivamente republicanos, desertores da Família e muitos outros...”. M. Czaplińska, Mniszech Jerzy August, PSB, t. 21, 470-474; O Halecki, in: Storia della Polonia, Roma, 1966, 227, escreve a respeito de Mniszech: “(...) tendo deixado o país em que reinava (trata-se do rei Augusto III), por graça dos seus favoritos, entre os quais granjearam inglória fama o saxão Bruhl e seu genro, o polonês Mniszech. O indigno governo deles se consolidou em razão da apatia do rei, que
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