Os Marianos Nos Anos 1787-1864

105 de teologia dogmática92. No entanto, nos tempos da crise (1795-1820) e da falta de sacerdotes todos esses estereótipos foram demolidos. Ocorria, com efeito, que o mesmo leitor era obrigado a lecionar simultaneamente a filosofia, a teologia moral e dogmática, como ocorreu nos anos 1815-20 em Skórzec. Acontecia também de leitores, como por exemplo F. Hadrawa, P. Wyrowski e A. Strejch, exercerem essa função por mais de 20 anos, sem receber qualquer recompensa. Quando nas primeiras duas décadas do século XIX na Polônia os estudos duravam 2-3 anos, os capítulos gerais dos marianos se empenhavam – da mesma forma que o faziam já na segunda metade do século XVIII – por prorrogar esse período a cerca de seis anos, em razão do insuficiente preparo dos candidatos93. Essa era, no entanto, uma piedosa aspiração dos marianos. De acordo com o regulamento de 6/18 de março de 1817, para ingressar na ordem e se tornar sacerdote o candidato devia ter concluídas pelo menos as quatro séries da escola pública, ou seja, o ginásio. Não se sabe muita coisa a respeito da instrução dos estudantes marianos. Por exemplo, em Raśna, entre os seis candidatos que ali permaneciam em 1822, apenas um havia concluído a quarta série, um a terceira, dois a segunda, e dois unicamente a escola paroquial (o que significava menos que a escola elementar). Nos documentos relacionados com os dois últimos, o leitor registrou: “Estudavam gramática, latim, geometria, geografia, história, matemática, e iam conhecendo a agricultura, a doutrina moral e um pouco de tudo que era possível”94. O baixo nível de instrução dos candidatos, o breve período de estudos, a falta de leitores bem preparados eram as causas que impossibilitavam um suficiente preparo dos seminaristas, para que eles pudessem enfrentar as correntes iluministas e os grupos de agnósticos. Tal situação era característica dos anos 1815-1830; naquele tempo, no Reino da Polônia, o ensino para o clero diocesano durava em geral três, raramente quatro anos. O bispo da diocese de Sejny, Czyżewski, achava que os seminaristas não podiam estudar no seminário por quatro anos, desperdiçando as dotações do Estado e o dinheiro dos benfeitores95. Enquanto isso na ordem dos padres marianos, principalmente em razão da atividade do superior geral T. Białowieski, procurava-se prorrogar o tempo de duração dos estudos pelo menos para quatro, e na medida do possível para cin92 Sydry, Organizacja..., 39. 93 Em razão do fechamento das escolas dirigidas pelos jesuítas, a preparação dos candidatos com frequência era insuficiente; acontecia que o candidato ao sacerdócio iniciava os estudos pelo estudo do latim e da retórica. Era por isso que os marianos, na segunda metade do século XVIII, empenhavam-se pela prorrogação dos estudos a 6 anos, o que se tornou impossível no início do século XIX, apesar dos decretos do capítulo. Um exemplo típico era o Pe. Pórzycki, que ingressou na congregação (no noviciado) em 1805 e em 1807 foi ordenado. 94 ABUV, Doc.Viln., II, f. 230. 95 Jemielity, Diecezja sejneńska..., 93.

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