Os Marianos 1670-1788

87 gosa e dolorosa. Ele ia perdendo as forças e era atormentado pela doença. O próprio Papczyński acreditava que só conseguiu realizá-la graças à especial proteção de S. Rafael, a quem devotava grande devoção e cuja imagem trazia consigo. Fez também em Roma a promessa de que, se voltasse são e salvo à Polônia, construiria um altar para S. Rafael, o que fez logo após a volta de Roma, e a imagem do Santo Arcanjo, localizada num altar lateral do Cenáculo, em breve se tornou famosa em razão de numerosas graças e milagres110. Muito esforço envidou o Padre Papczyński para obter a aprovação pontifícia, mas também não negligenciou nenhum cuidado pelo desenvolvimento espiritual e numérico da congregação, que – infelizmente – naquele tempo, em ambos esses aspectos, era extremamente lento. Apesar dos votos professados e “do irrevogável juramento de perseverar para sempre na congregação, do que podia conceder dispensa exclusivamente a Santa Sé”, muitos marianos, desanimados e decepcionados com as regras de uma vida muito severa, obtinham dos confessores a dispensa dos votos e se afastavam da congregação, tanto mais porque alguns moralistas acreditavam que os votos simples que eram professados pelos marianos eram simples promessas e, como tais, podiam ser dissolvidas por qualquer confessor. Hoje não é possível determinar quantos marianos de utilizaram desse subterfúgio ilegal, mas parece que foi um número significativo. Em razão desse procedimento, em 1692 o Padre Papczyński encaminhou um pedido à Congregação dos Bispos e dos Religiosos para que proibisse semelhantes práticas e proclamasse que “os votos dessa Congregação não são sujeitos a dispensa [...] e que aqueles que foram dispensados dos ditos votos por certos (sic!) teólogos tinham a obrigação de voltar à mencionada Congregação”111, porque caso contrário seriam tratados como apóstatas. Naquele mesmo ano o Padre Papczyński encaminhou também um outro pedido à Sacra Congregação dos Bispos e Religiosos, no qual renovou os empenhos por obter a aprovação pontifícia para os marianos através da incorporação legal à Ordem das Monjas da Imaculada Conceição112. Nesse documento lemos: “O superior requerente suplica humildemente a Vossa Eminência [...] que seja confirmada e aprovada a mencionada Congregação, 110 Leporini, n. 45; Teixeira, n. 61. 111 S. Papczyński, Prośba „Do Świętej Kongregacji Biskupów i Zakonników” de 20 de junho de 1692, in: Pisma zebrane, pp. 1514-1516. A problemática do pedido acima foi analisada por: T. Rogalewski, Stanisław Papczyński, p. 279; Positio, Papczyński, pp. 512-515. 112 Positio, Papczyński, pp. 504-505, 515-517; S. Papczyński, Prośba „Do Świętej Kongregacji Biskupów i Zakonników” de 22.8.1692, in: Pisma zebrane, pp. 1517-1520.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==