Os Marianos 1670-1788

399 O Padre Gołkowski, um zeloso mariano, concluiu os trabalhos com as constituições levando em conta as resoluções dos capítulos gerais, apesar de – como foi dito acima – as constituições e a regra, corrigidas pelo Padre Spourny e aprovadas pelos consultores, terem sido enviadas à Congregação para as Causas dos Religiosos para novas consultas. O Padre Gołkowski continuou igualmente as negociações promovidas pelo Padre Spourny e já avançadas na causa da obtenção da independência legal da ordem dos reformados. Uma importante conquista nesse caminho foi a designação para os marianos do seu próprio cardeal protetor. Estava se concretizando o ideal do Padre Fundador de que os marianos tivessem o seu cardeal protetor, que a pedido dos superiores lhes indicaria o papa217. Após a incorporação aos reformados isso se tornava impossível, visto que, contrariando a vontade dos marianos, foi modificado esse postulado pela introdução do seguinte dispositivo: “A congregação [não a ordem] deve ter o mesmo cardeal-protetor da Ordem Seráfica”218. O Padre Spourny acreditava que isso havia sido introduzido com o objetivo de que os marianos fossem em Roma desconhecidos, de que não tivessem a proteção e o apoio em suas causas e de que “não pudessem resolver [nada] que não agradasse aos frades”. Após a apresentação do pedido ao Santo Padre para ser destinado um cardeal protetor, no dia 24 de setembro de 1784, através de um restrito, o Papa Pio VI nomeou para esse cargo o Cardeal Henrique Stuart de York, que era bisneto do Rei João Sobieski e uma pessoa muito influente na Cúria Apostólica219. Com verdadeira alegria informava a respeito disso o superior geral, por uma carta dirigida a todos os coirmãos: “Amados padres e irmãos, o Santo Padre nos proporcionou uma graça especial quando no dia 24 de setembro do ano passado escolheu como Protetor da nossa Ordem o Ilustríssimo e Eminentíssimo Henrique Duque de York, cardeal e bispo, 217 Regra das dez virtudes da SVM, IV. “E os superiores têm a obrigação de pedir ao Santo Padre que um dos cardeais da santa Igreja romana seja o protetor desta ordem. A esse dignitário todos devem demonstrar respeito e obediência”. 218 Constituições, 1723, IX/3. 219 Henrique Benedito Stuart de York nasceu no dia 6.3.1725 em Roma. Era filho de Tiago Francisco Stuart e Maria Clementina Sobieska. Na Cúria Romana foi uma pessoa muito influente. No dia 30 de junho, tendo recebido a tonsura, ingressou no estado religioso, e quatro dias depois, no dia 3 de julho, tornou-se cardeal. Preservou a dignidade de cardeal por 60 anos, o período mais longo na história da Igreja. Seu pai conferiu-lhe o título de Duque de York. Disputou o trono da Inglaterra e da Escócia como Henrique IX. Nos anos 1763-1807 presidiu a Chancelaria Apostólica, e nos anos 1803-1807 foi decano do Colégio Cardinalício. Faleceu em 1807 em Frascati. Foi sepultado nos subterrâneos da Basílica Vaticana. A escolha desse cardeal para protetor dos marianos foi um importante sucesso.

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