Os Marianos 1670-1788

397 ra autorização, ele mesmo, como escreve – “em nome da nossa Ordem, segundo a necessidade dignamente lhe agradecerei206 [...], visto que já nos encontramos num estado em que podemos andar com as próprias pernas e por isso não necessitamos de ama nem de babá, e [tenho que agradecer] ao superior geral dos reformados por essa proteção a nós dispensada”207. Poderia parecer que a separação dos reformados já era questão de um momento, que já seria suficiente apenas agradecer e afastar os comissários. Mas, mesmo que certas medidas e soluções na incorporação aos reformados tivessem sido realizadas com certa manipulação legal, elas tinham sido aprovadas pela Santa Sé, pelo ministro geral dos reformados e pela Nunciatura em Varsóvia, e não podiam ser invalidadas somente com base na decisão da rejeição. A necessidade de apresentar essa causa à Congregação para as Causa dos Bispos e dos Religiosos testemunhava a sua importância e o fato de que exigia um processo normal, canônico. A Congregação enviou uma recomendação à Nunciatura Apostólica em Varsóvia pedindo informações sobre a ordem dos marianos, sobre a sua situação legal e a sua atividade208. A pedido do núncio, muitos bispos, decanos e pessoas leigas enviaram o seu parecer a respeito dos marianos, a respeito do que o próprio núncio informou a Santa Sé e pessoalmente forneceu aos marianos uma opinião lisonjeira: “Pelo seu trabalho eles colhem o reconhecimento, cujas provas foram enviadas a mim tanto da parte do primaz como da parte de quase todos os bispos da Polônia, e especialmente da parte de muitos decanos, cujas cópias envio a Vossa Eminência. As obras pias a que se dedica esse Instituto consistem na ajuda na pastoral pela proclamação da palavra de Deus, pela audição de confissões atendendo a qualquer pedido. Eles edificam os fiéis pelos seus bons costumes”209. Nessa situação o Padre Spourny começa a buscar o apoio junto ao rei da Polônia, ao núncio, aos bispos favoráveis, e estimula o superior geral a fazer esforços semelhantes na Polônia. Segundo fontes acessíveis, no dia 11 de setembro de 1779 o Rei Estanislau Augusto enviou uma carta ao Santo Padre, pedindo-lhe a benevolência e a independência dos marianos da ordem dos reformados210. 206 Ibidem. 207 Ibidem, carta de Cândido Spourny, 4. 208 ASV, S. C. Vescovi e Regolari, Posizioni, Sez. Regolari, Mariani 1789. 209 ASV, Arch. N. Varsaviae, vol. 76, f. 2r. 12 jan., 1781. 210 Prot. Rom., carta de Norberto Gołkowski ao superior geral de 25.2.1786: „O nosso monarca [Rei Estanislau Poniatowski] escreveu ao papa em nosso favor, para que se dignasse ter-nos em sua graça”; S. Sydry, O. Stanisław, p. 279; A. W. „Marianie” in: Enc. Kość., t. XIII, pp. 536-542.

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