Ad Honorem Immaculatae Conceptionis Mariae

82 de uma especial intervenção de Deus em sua vida: através da sua experiência mística relacionada com o sofrimento das almas do purgatório. São eloquentes sobretudo as descrições do seu sofrimento substituto, quando − como diz o Biógrafo − “cheio de piedosa compaixão pelos que sofriam intoleráveis tormentos, exclamava em voz alta: ‘Deus misericordiosíssimo, aumentai o meu sofrimento e diminuí o castigo deles!’”. Reconheceu dessa forma aquela luz do Espírito Santo que o conduziu por toda a vida, de maneira especial durante a fundação da nossa comunidade. Justamente por essa razão, oferecendo a si mesmo pelos falecidos, estimulava seus filhos espirituais a uma postura semelhante. Esse mesmo Biógrafo informa que em consequência das experiências místicas “ordenou que os irmãos da sua ordem todos os dias recitassem pelos falecidos o ofício e o rosário, e que oferecessem pela libertação deles daqueles insuportáveis castigos todos os méritos, trabalhos, jejuns, mortificações e outros piedosos exercícios espirituais”. As formas da nossa intercessão pro defunctis podem mudar, mas a sua essência permanece sempre a mesma. Hoje as nossas Constituições de- dicam bastante atenção ao su ff ragium defunctorum . Na parte intitulada “Natureza, objetivo, espiritualidade e caráter”, temos um artigo todo sobre a ajuda aos falecidos e agonizantes. A nossa legislação também nos define tanto os meios de tal ajuda como as suas circunstâncias especiais; trata-se aqui sobretudo do tempo da oração intensiva pelos falecidos, p. ex. a oitava do dia de finados, o rosário após a morte de um coirmão etc. Esse sufrágio pelos falecidos deve ser não apenas individual, mas também comunitário, e com a inclusão dos fiéis leigos (cf. D. 6). Considerando de forma geral, essas práticas são próprias de toda a Igreja e são elas: especialmente o Sa- crif ício Eucarístico, as orações, as esmolas, as indulgências e as obras de penitência (cf. CIC 1032). Nas nossas primeiras Constituições, ou seja, na Norma vitae , o sufrágio pelos falecidos é abordado como um dos objetivos, mas sem adicionar ali uma fundamentação espiritual. Em Templum Dei Mysticum , no entanto, o nosso Pai Santo Estanislau escreveu: “Sem dúvi- da, reza com mais eficácia aquele que, querendo alcançar a misericórdia divina, proporciona essa misericórdia ao ser humano. E que misericórdia maior pode haver do que aquela demonstrada aos falecidos, dos quais não esperas nenhuma recompensa, nenhuma gratidão e nenhum elogio? Aque- les que a praticam com certeza preparam para si uma vida imortal”. O su ff ragium defunctorum é sem dúvida um ato de caridade. Existe, no entanto, ainda um outro significado dessa prática, importante para o mun- do de hoje. A ajuda aos falecidos e agonizantes é ao mesmo tempo um

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