Ad Honorem Immaculatae Conceptionis Mariae
77 mitirmos a fé e o amor de Deus, transmitimos o pecado e a deformação da Face do Deus misericordioso. O nosso Pai Santo Estanislau tinha plena consciência de como deve ser uma comunidade, e de que o seu cerne é o amor. Por isso, já no início das suas constituições Norma vitae ele escreveu um capítulo a que deu o título Sobre o amor ( De Caritate ), onde enfatiza: “Lembrem-se todos de que a alma do nosso Instituto é o amor e de que, na medida em que dele se afastarem, na mesma proporção também se afastarão da vida” ( NV II 4). Essa norma diz respeito a todos os coirmãos, independentemente das funções exercidas, da posição na comunidade, dos chamados “méri- tos” etc., visto que somente “a união num só espírito e num só amor” de todos os membros é que edifica tanto “o Corpo da Igreja de Deus” como a comunidade religiosa (cf. Inspectio cordis ). Sabia também o nosso Fun- dador que podem ocorrer situações de falta do devido amor, conflitos e pecados, e por isso lembra que a comunidade religiosa é também lugar de perdão e de reconciliação, primeiramente com o Salvador, e a seguir com o coirmão. É por isso que em seu Testamento, em face da morte, ele pede o perdão e ele mesmo perdoa. Ao mesmo tempo tem consciência de que o autêntico perdão só é possível na base da fé e em união com o amor de Cristo, e por isso escreve: “Arrependo-me do fundo do coração e quero arrepender-me da forma mais perfeita possível, por amor a Ele, dos meus pecados, que mergulho todos nas salvíficas chagas do meu Senhor e Re- dentor Jesus Cristo”. Assim também deve ser o nosso caminho na comunidade religiosa. Elo- quentes são a esse respeito as palavras da Instrução intitulada A vida fra- terna em comunidade de que “toda realidade cristã é edificada na fraqueza humana. Uma ‘comunidade ideal’, perfeita, ainda não existe”. A capacidade de perdoar ao coirmão é também um sinal de amor. Da mesma forma que a capacidade de expressar o pedido do perdão e a aceitação do perdão. A reconciliação com Deus, a que deve conduzir a celebração anual do “dia de reparação e penitência”, deve nos conduzir também ao perdão e à recon- ciliação com os coirmãos. Graças a tal estilo de vida podemos dar o teste- munho comunitário do amor baseado no encontro do Deus vivo na nossa vida. Percebemos hoje que não somente o mundo necessita de tal testemu- nho, mas que também os nossos corações podem ser curados unicamente pela experiência do misericordioso amor de Jesus.
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==