Ad Honorem Immaculatae Conceptionis Mariae
55 fazer nenhum barulho num canto da casa de um piedoso morador da cida- de chamado Snopek, um marceneiro, e ali, bem escondido, passou a noite. Inesperadamente, de manhã cedo foi visto pela mãe da família e pela em- pregada da casa. Deus inspirou nos corações delas a piedade e, movidas pela caridade, elas lhe permitiram ali descansar. Enquanto isso, inesperadamente a doença lhe atacou as pernas, que se cobriram todas de feridas, e não havia para elas nenhum remédio. A doen- ça se intensificava dia a dia, a tal ponto que ele parecia estar apodrecendo vivo. Por essa razão corria o risco de ser afastado da residência, para não contaminar os outros. Deus, no entanto, infundiu nos corações dos mo- radores da casa tanta força de amor e compaixão que não tinham repug- nância a ele, mas antes lamentavam o seu destino, compadeciam-se dele, choravam e tinham compaixão dele. Foi assim que o bondosíssimo e misericordioso Deus instruiu e pre- parou então aquele ainda jovem a proporcionar ajuda aos que sofrem no purgatório. Pela paciência e pela dor, preparou o futuro idealizador des- sa ajuda, de maneira que ele mesmo estando submetido aos sofrimentos e à provação, aprendesse a compadecer-se das almas nos seus pesadíssimos tormentos e tivesse mais amor a elas, visto que ele mesmo havia sofrido e obteve a compaixão, o que será mostrado abaixo. Para glorificar a Deus, contarei como se curou dessa dolorosíssima doença o nosso segundo Jó sofredor, atingido com úlceras pelo Senhor. Contarei de que forma o curou o Deus que dá a morte e a vida, que dá as úlceras e delas liberta. Não sei somente se alguém acreditará no que estou relatando, mas pode e deve acreditar, visto que estou falando de um fato dos mais verdadeiros, registrado de próprio punho pelo Frei Estanislau. Estava ele deitado naquela casa como o pobre Lázaro, e o que de acordo com a Escritura atingiu Lázaro, o mesmo aconteceu a Estanislau. Os cães da casa vinham a ele, inteiramente coberto de úlceras, e por ordem divina lambiam as suas feridas e úlceras. Quem teria esperado que justamente isso se tornaria um remédio eficaz, que traria antes a vida que a morte? Aconteceu isso por vontade do Deus infinitamente bondoso, para que Estanislau fosse curado com esse estranho remédio. Deus o preservou para o sublime estado religioso e para fundar em Sua Igreja a ordem da Sua San- tíssima Mãe, tão necessária para o sufrágio dos que sofrem no purgatório. Citarei em relação com isso as seguintes palavras, escritas pelo próprio Servo de Deus Estanislau: “Deus meu, sede bendito pelos séculos. Fazei que eu permaneça fiel à vocação após passar por tantas provações. Sei que por mim mesmo não sou capaz de nada de bom. Não te espantes, leitor,
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