Ad Honorem Immaculatae Conceptionis Mariae

46 “se conforma com o mundo presente”, é antes o fruto do Espírito Santo que age continuamente na Igreja. Formas externas e impulso interior 12. É precisamente aqui que encontra os seus meios de subsistência o dinamismo próprio de cada família religiosa, porque, se bem que o cha- mado de Deus se renova e se diversifica, segundo as condições variáveis de lugar e de tempo, ele requer, no entanto, orientações constantes. O im- pulso interior, que lhe corresponde, suscita ao longo da existência certas opções fundamentais. A fidelidade às suas exigências é a pedra de toque da autenticidade de uma vida religiosa. Não esqueçamos que toda instituição humana é insidiada pela esclerose e ameaçada pelo formalismo. A regula- ridade exterior não bastaria, por si mesma, para garantir o valor de uma vida e a sua coerência íntima. E necessário, portanto, reavivar incessante- mente as formas exteriores por meio deste impulso interior, sem o qual em breve se transformariam num fardo excessivo. Através da diversidade de formas, que dão a cada instituto a sua fisionomia própria e têm a sua raiz na plenitude da graça de Cristo, a regra suprema da vida religiosa, a sua norma última, é seguir a Cristo, segundo o ensinamento do Evangelho. Não foi esta preocupação que suscitou na Igreja, através dos séculos, a exi- gência de uma vida casta, pobre e obediente? REFLEXÃO O artigo segundo das nossas Constituições é abordado da seguinte for- ma: “O mistério da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria é a essência do carisma da Congregação e desde o início da sua existência o si- nal especial, a força e a alegria da vocação mariana. Desse mistério decorre a identidade e a missão da Congregação”. De imediato se impõe a pergunta: De que forma esse carisma se expressa em nossa vida? Que experiência de fé ele acarreta e o que isso significa para nós? Tentemos encontrar uma resposta na comparação de duas cenas: a da Anunciação (Lc 1,26-28) e a mais antiga confissão do Padre Estanislau a respeito da vocação para a fun- dação da nossa Congregação ( Fundatio Domus Recollectionis , n. 1). A Imaculada Conceição da Mãe do Senhor manifesta-se num momento especial da Sua vida: a vocação para ser a Mãe do Filho de Deus − descrita no Evangelho de S. Lucas. A experiência espiritual de Maria, descrita na perícope, encerra duas realidades: a divina e a humana. Maria é “cheia de graça”, ou seja − como define isso o nosso Pai S. Estanislau em uma das

RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==