Ad Honorem Immaculatae Conceptionis Mariae

30 empenho que caracteriza o vosso Instituto desde as origens. Encorajo- vos a manter viva esta tradição do serviço às pessoas pobres e humildes, através do anúncio do Evangelho com a linguagem a eles compreensíveis, com as obras de misericórdia e o sufrágio dos defuntos. Esta proximidade das pessoas como nós, simples. Gosto daquele trecho de Paulo a Timó- teo (Cf. 2 Tm 1, 5): conserva a lembrança daquela tua fé tão sincera, que foi primeiro a da tua avó e da tua mãe...; da simplicidade da mãe, da avó. Isto é o fundamento. Nós não somos príncipes, filhos de príncipes ou de condes nem de barões, somos gente simples, do povo. E por isso nos apro- ximamos com esta simplicidade dos simples e de quantos sofrem mais: os doentes, os idosos abandonados, os pobres... todos. E esta pobreza está no centro do Evangelho: é a pobreza de Jesus, não a pobreza sociológica, mas de Jesus. Outra significativa herança espiritual da vossa família religiosa é a que vos deixou o vosso irmão de hábito beato Jorge Matulaitis: a dedicação to- tal à Igreja e ao homem para «ir corajosamente trabalhar e lutar pela Igreja, especialmente onde havia mais necessidade» ( Journal , p. 45). A sua inter- cessão vos ajude a cultivar em vós mesmos esta atitude, que nos últimos decénios inspirou as vossas iniciativas, que visam difundir o carisma do Instituto nos países pobres, especialmente na África e na Ásia. Hoje, o grande desafio da inculturação pede-vos para anunciar a Boa Nova com linguagens e modos compreensíveis aos homens do nosso tem- po, envolvidos em processos de rápida transformação social e cultural. A vossa Congregação possui uma longa história, escrita por testemunhas corajosas de Cristo e do Evangelho. Nesta esteira sois chamados hoje a ca- minhar com renovado zelo a fim de avançar, com liberdade profética e dis- cernimento sábio — ambos juntos! — por caminhos apostólicos e frontei- ras missionárias, cultivando uma estreita colaboração com os Bispos e com os outros membros da Comunidade eclesial. Os horizontes da evangelização e a necessidade urgente de testemunhar a mensagem evangélica a todos, sem distinções, constituem o vasto campo do vosso apostolado. Muitos ainda esperam conhecer Jesus, único Reden- tor do homem, e não poucas situações de injustiça e de desconforto moral e material interpelam os crentes. Uma missão tão premente exige conver- são pessoal e comunitária. Só os corações plenamente abertos à ação da Graça são capazes de interpretar os sinais dos tempos e de compreender os apelos da humanidade necessitada de esperança e de paz. Caros irmãos, seguindo o exemplo do vosso Fundador sede corajosos no serviço de Cristo e da Igreja, respondendo aos novos desafios e às novas

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