Ad Honorem Immaculatae Conceptionis Mariae

80 e a maior dificuldade era a que se apresentava com os doentes. De maneira que julguei que seria mais conveniente, in tanta necessitate, apresentar a céu aberto o sacrif ício ao trono do Altíssimo, do que privar aqueles pobres católicos, e especialmente o doente, de receber o Corpo e o Sangue do nosso Salvador. Tanto mais fui induzido a isso, porque alguns daqueles católicos havia alguns anos não se tinham confessado, e insistentemente e com lágrimas me suplicavam a confissão e a refeição do celestial alimento. Ao anoitecer, portanto, com a ajuda daqueles fiéis, escolhi um bonito lugar em meio à alta, verde e florescente vegetação. Limpamos o lugar, estendemos um tapete, espalhamos em volta belas e aromáticas flores, cercamos o espaço em forma de um barraco com ramos floridos de lilás e jasmim, chamamos isso de capela e enfeitamos o altar da forma mais solene e ao mesmo tempo mais simples. Ao anoitecer, juntos rezamos diante daquele altar! E na manhã seguinte, ao nascer do sol, já novamente estávamos ajoelhados diante daquele altar, suplicando a misericórdia divina. Após um breve sermão sobre a importância da santa penitência, ouvi em confissão os pobres soldados, e durante a santa Missa os fortifiquei com o celestial alimento do Corpo e do Sangue de Cristo. Esse serviço realizou-se em pleno sentido da forma mais solene. De um lado, com efeito, majestaticamente se elevava o sol, cujos raios dourados e cintilantes refletiam-se e nadavam nas correntes do Amur, que então, rolando tranquilamente enormes massas de água, não turvou nenhuma ondulação da sua superf ície igual e brilhante como um espelho. Os passarinhos, gorjeando e cantando, acompanhavam-nos quando piedosamente cantávamos: “Deus Santo” e “Deus é o nosso refúgio”. Até os peixes, quando de vez em quando chapinhavam sobre a superf ície do Amur, parecia que demonstravam e expressavam como que a sua alegria. O sussurro do vento, algumas vezes roçando as folhas das árvores, confundia-se no eco dos pequenos e invisíveis seres com o cântico nosso e o trinado dos pássaros, enchendo o ar de doce harmonia. O céu, coberto de um lado por nuvenzinhas de púrpura, do outro era limpo e escuro-argênteo, formando a cúpula daquele enorme santuário. Sentimentos inexprimíveis abalavam então o coração da gente, não permitindo de forma alguma ser envoltos em palavras. Por isso, duran-

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