A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

89 Deve-se supor que justamente sob a influência de tal posição do beato Estanislau Papczyński, na primitiva tradição dos marianos devia existir uma nítida consciência do significado do amor teologal, especialmente para conferir a adequada qualidade ao relacionamento mútuo. Um dos estímulos do Protocollum Ordinis, que fazia alusão aos documentos do primeiro Capítulo Geral, de 1685, era o desvelo por uma “harmoniosa convivência mútua pelo bem da Congregação”225, assinalada pelo amor e pelo perdão. Essas formulações e outras a elas semelhantes aparecem também durante os capítulos subsequentes, ou ainda nas cartas que proclamavam as decisões capitulares. Chama a atenção a esse respeito a decisão do Capítulo Geral que se realizou em Puszcza Korabiewska em 1725 (dois anos após a nova aprovação das Constituições adaptadas à regra recebida em 1723). Uma das disposições ali contidas ordena a realização anual de um ato comunitário de reconciliação (“deprecatio mutua”), sob a direção do superior e começando por ele mesmo. Esse ato, aliado à renovação dos votos, continha em si uma fórmula, pronunciada em voz alta, de perdão de todas as culpas e de humilde pedido direcionado aos outros coirmãos pedindo o mesmo perdão das culpas do próprio superior. Como fundamentação, é fornecido no ato o motivo do amor de Jesus e Maria (“ex amore Iesu et Mariae”), enquanto que a introdução geral ao ponto que fornece a disposição afirma que entre os marianos não deve haver divisões, iras envelhecidas e ódios, visto que eles são “filhos de Maria Virgem”226. Embora nem os escritos do Fundador dos marianos nem a Regula decem beneplacitorum não contenham semelhantes atos ou sugestões para a sua realização comunitária, pode-se aqui perceber o espírito desse mesmo desvelo pela adequada qualidade da vida comunitária, à qual em sua doutrina Papczyński dedicou tanto espaço. A localização pelo beato Estanislau Papczyński da “charitas” – do amor teologal no centro da espiritualidade religiosa, tanto na dimensão individual como na comunitária, fez com que esse ideal se tornasse de certa forma o fecho que tudo define, a inspiração que anima as pessoas em particular e as comuni225 Cf. Puncta Commissionis Episcopalis a 1685. In: Decreta – Ordinationes Capitulorum Congregationumque Generalium M.I.C. 1702-1999, ed. W. MAKOŚ MIC. Puszcza Mariańska, 2001, p. 3 (dat. AGM). Cf. também: S. SYDRY. Zgromadzenie Księży Marianów w XVIII wieku. In: S. SYDRY, J. TOTORAITIS. Zgromadzenie Księży Marianów od założenia do odnowienia. Puszcza Mariańska, 2004, p. 199. 226 O texto no seu todo assim se apresenta: “Quoniam inter Fratres Marianos filios Beatissimae V. M. nullae debeant esse scissiones ira inveterata, et rancores, ideo fiat simul quolibet anno cum renovatione votorum deprecatio mutua tempore medidationis matutinae vocaliter ab omnibus incipiendo ab ipsomet superiore, in haec vel simila verba: ‘Ego NN ob amorem Iesu et Mariae dimitto ex corde omnibus quascumque iniurias habere possum, et invicem dimitti mihi meas peto humiliter’”. Capitulum Generale septimum in Conventu eremi Corabieviensis a. 1725. In: Decreta – Ordinationes Capitulorum Congregationumque Generalium M.I.C. 1702-1999, ed. W. MAKOŚ MIC. Puszcza Mariańska, 2001, p. 67 (dat. AGM).

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