56 de fé de S. Pedro (cf. Mt 16: 13-19), o qual “abandonou a opinião errônea sobre Jesus”, baseada unicamente na luz “do intelecto humano” daqueles que “mergulham nos assuntos do corpo e do sangue”. “Através de um poderoso ato de profissão de fé em Deus”, graças à fé e porque era “mais iluminado que os outros”, Pedro revelou a verdade de que Jesus é o “Filho do Deus Vivo”118. A fé introduz, portanto, no mundo dos mistérios divinos e dos acontecimentos salvíficos da história, iluminando-os e aproximando-os de tal forma que delas passa a participar o crente; finalmente o introduz na vida divina e lhe fornece a verdadeira perspectiva da percepção da realidade. Papczyński extrai a fundamentação para tais convicções igualmente do exemplo de vida e da doutrina de S. Paulo Apóstolo, a quem considerava como “bem iluminado” (“bene illuminatus”). As confissões de S. Paulo a respeito da sua pecaminosidade e fraqueza, aliadas à experiência de ser um “vaso escolhido” e à descrição de ser arrebatado “ao terceiro céu” (cf. At 9: 15; 2Cor 12: 2) são para Papczyński uma prova indubitável de que a verdadeira iluminação está relacionada com uma vida repleta da verdade aceita na fé, com humilde submissão, e vista à maneira divina, isto é, da maneira como a vê Deus119. As verdades reveladas por Cristo nas páginas do Evangelho e na história da salvação são um mundo repleto de mistérios, nos quais a mente humana se perde e por mesma não tem condições de compreendê-los. E, mesmo que ouça a palavra de Deus pregada, sem uma iluminação interior “com a luz divina” do Espírito Santo não pode penetrar em sua profundeza, compreendê-la e familiarizar-se com ela. Por sua vez a “iluminação” conduz não apenas à aceitação das verdades reveladas por Cristo com a submissão de fé própria dos discípulos de Cristo e à vida de acordo com elas, mas igualmente a certo conhecimento das verdades teológicas, de acordo com a vocação e com as tarefas confiadas por Deus dentro da Igreja. Papczyński encontra as premissas para tal posição na descrição evangélica do caminho do amadurecimento espiritual dos Apóstolos. Comentando em Inspectio cordis o prognóstico de Cristo de que ainda “por pouco tempo” permaneceria com os discípulos, porque estava se afastando deste mundo (cf. Jo 13: 33) e a promessa do envio do Espírito Consolador (cf. Jo 16: 5-15), o beato Estanislau, com a ênfase peculiar que sublinha a necessidade da iluminação na busca da união com Deus, observa que “quando [os Apóstolos], antes da vinda do Consolador, não compreendiam a expressão ‘por pouco tem118 Vale a pena neste ponto citar o trecho do nosso interesse na língua original, visto que ilustra perfeitamente a questão aqui analisada: “1. ‘Quem dicunt homines esse filium hominis?’ Matt. 16. Considera, Dominum non fuisse Patre homine, sed Deo natum; tamen existimatum fuisse Filium hominis, filium Joseph. Sic scilicet humanus intellectus caligat, ut quae divina sunt humana putet esse. Verum Petrus caeteris illuminatior erroneam sustulit de IESU opinionem, quando illum vivi Dei Filium esse asseruit”. IC, p. 878. 119 Ibidem, p. 698 ss. Cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Teologiczne podstawy życia... , op. cit., p. 174-182.
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