46 transgressão do meu povo’ (cf. Is 53: 8). E com razão, de acordo com a verdade acrescentaria: ‘Pelos teus grandes e tão pesados pecados’. Porque tu és aquele que conduziu Cristo à cruz e − que horror! – quando procedes impiamente, todos os dias O crucificas!”80. Esse tipo de ensinamento, na convicção de Papczyński, deve tornar claro ao leitor qual é na realidade a natureza do pecado e estimulá-lo tanto a aceitar a salvífica graça merecida por Cristo como a assumir o esforço da conversão e da penitência. Na lógica do pecado e também da necessidade de purificação, na opinião de Papczyński, inscrevem-se também todos os defeitos, até “as mínimas infidelidades”, as concupiscências e as paixões desordenadas, juntamente com as suas tendências egoístas. A exigência da conversão torna-se, por conseguinte, uma espécie de conclusão da apropriada compreensão do mistério da Redenção e ao mesmo tempo um instrumento eficaz para despertar a fé e iniciar uma vida pautada pelo amor evangélico. Meios adequados para isso são sobretudo os sacramentos, principalmente o sacramento da penitência, e a frequente meditação da Palavra Divina, de maneira especial a meditação da Paixão do Senhor81. Um traço característico da postura de conversão deve ser a “adesão à sã doutrina e à cruz”, aliada a uma radical renúncia tendente a mortificar “as más concupiscências do corpo” e as “paixões” (“mortificatio passionum”), a descobrir e erradicar a profundamente “oculta cupidez e o amor da posse” (“cupiditas et amor habendi occultissimus”), a contrapor-se aos defeitos, de maneira especial “à apatia espiritual, ou seja, à preguiça e ao desânimo”82. No entanto a conversão pessoal não brota apenas em consequência da conscientização dos pecados ou das suas consequências, ou ainda em razão da dor “das frequentemente renovadas feridas da alma” (“animae vulnera”), surgidas em consequência dos pecados cometidos, mas é sempre um sinal da prévia atuação da graça divina e da libertadora presença de Jesus, visto que “é através d’Ele que se recebe a capacidade do afastamento dos pecados”83. Papczyński, nesse contexto, alude aos exemplos evangélicos de conversões, como as de Zaqueu, de Maria Madalena e de Pedro, para afirmar que toda autêntica e proveitosa conversão deve conter em si uma espécie de esboço que se repete na vida de todo homem e que é o encontro da pessoa humana com o Cristo Salvador, que não condena o pecador, mas quer a sua conversão; por isso dirige-se ao homem com “infinito, desinteressado e inconcebível amor” para atraí-lo a si, visto que n’Ele está a fonte da vida eterna e do autêntico amor a que é convocado segundo 80 IC, p. 657. 81 Cf. T. ROGALEWSKI MIC. Koncepcja życia chrześcijańskiego... , op. cit., p. 54-63. 82 Cf. IC, p. 646-647, 706-707, 993. 83 Cf. IC, p. 919.
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