192 que atormentam a alma”72. A devolução da vida da graça e da paz do coração com ela relacionada é permanente, visto que essa é também a natureza da ação santificante do sacramento da penitência instituído por Cristo. Papczyński alude nesse contexto à frase do Evangelho de S. Mateus (18:18) que fala do poder dado à Igreja de ligar e desligar e ensina que “o confessor que age em nome de Cristo” possui esse poder e o cumpre; por isso, “o que por ele foi desligado na terra também foi por Cristo desligado no céu”73. Com efeito, o sacramento da penitência tem uma “origem divina”, para o que apontam não apenas as palavras de Cristo presentes no apropriado trecho do Novo Testamento (cf. Jo 20:22-23), mas também a própria natureza da confissão. O beato Estanislau observa que o poder de perdoar os pecados, embora possua a marca “do poder apostólico, do poder dos sucessores de Cristo”, é sobretudo um sinal da ação divina, visto que “cabe a Deus o perdão dos pecados”74. A eficácia do sacramento da penitência exige uma adequada disposição do penitente e o cumprimento de determinadas condições. Em suas pesquisas dedicadas à concepção do homem em Templum Dei Mysticum como templo místico de Deus, K. Klauza observa que nesse tratado que fala da vocação universal à santidade Papczyński apresenta as normas pós-tridentinas da prática da confissão, que são: a preparação (esmola, jejum, mortificação do corpo), o exame de consciência, o arrependimento pelos pecados com o firme propósito de emenda, a confissão dos pecados, o cumprimento da penitência imposta pelo confessor e o cumprimento das condições com o objetivo de alcançar as indulgências. Acrescenta, ao mesmo tempo, que falta nesse catálogo a doutrina, divulgada pelo Concílio de Trento, da reparação75. Ideias semelhantes de Papczyński podem ser percebidas em Inspectio cordis, onde – embora não sejam apresentadas de forma tão sistemática como em Templum Dei Mysticum – os seus elementos básicos são também apresentados. Algumas vezes, ao falar do sacramento da penitência, introduz ele a categoria da virtude da penitência, querendo enfatizar o quanto a eficácia do sacramento depende da adequada disposição da alma, inclusive da intensidade da contrição. Porque, embora Deus queira “perdoar todas as transgressões, culpas e imperfeições e apagá-las pelo sacramento da penitência”, 72 IC, p. 801. 73 Ibidem, p. 800-801; cf. também: IC, p. 919. 74 Na continuação do citado trecho, Papczyński como que sintetiza a sua argumentação e, já pela segunda vez em Inspectio cordis, de forma bastante categórica ensina que “este é um sacramento com tanta autoridade, com tão grande bondade e com tamanha solicitude instituído pelo próprio Deus supremo!”. IC, p. 702. 75 Cf. K. KLAUZA, op. cit., p. 113; cf. também: S. URBAŃSKI. Człowiek “mistyczną świątynią Boga” według bł. Stanisława Papczyńskiego. In: S. URBAŃSKI (red.). W pokornej służbie prawdzie i miłości. Księga pamiątkowa ku czci ojca profesora Pawła Placyda Ogórka OCD w siedemdziesiątą rocznicę urodzin. Warszawa, 2008, p. 239-340.
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