A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

190 a “recepção da Santíssima Eucaristia e a extrema unção”65. Repetem esse mesmo pensamento os Statuta, afirmando sucintamente que “aqueles que partem dentre os vivos devem ser providos de todos os sacramentos”66. Referências ao sacramento da ordem estão presentes unicamente nos escritos estatutários, nos quais são abordadas as questões da aptidão para a recepção do sacramento da ordem e os critérios com que é preciso guiar-se na admissão a ela. Os textos dedicam decididamente mais espaço à Eucaristia, um pouco menos à Penitência. Ensinando a respeito das fontes da vida espiritual, Papczyński frequentemente une os dois sacramentos, atribuindo-lhes quase que mesmos efeitos67 e apontando ao mesmo tempo para o seu significado fundamental na santificação dos religiosos. 2.1. Penitência As reflexões a respeito do sacramento da penitência foram mais detalhadamente apresentadas por Papczyński em Inspectio cordis, onde sobretudo chama- -o de sacramento do renascimento e da recuperação da santidade e da pureza alcançadas por ocasião do santo batismo. Na reflexão “Preparação para a santa Comunhão”, abordando o tema da devida disposição relacionada com a vivência da confissão, afirma: “Conscientiza-te de que já deves aproximar-te da fonte do Supremo Bem, da qual poderás haurir o que quiseres e quanto quiseres, na qual poderás mergulhar todas as tuas transgressões e purificar das impurezas a tua alma. Dali também sairás e voltarás limpo, livre dos pecados, tão lavado como outrora no santo banho batismal, porquanto o Apóstolo chama esse sacramento da penitência de batismo”68. Papczyński percebe a semelhança da penitência 65 NV IX 5. 66 Statuta V 4. 67 Vale a pena, a título de exemplo, referir uma das abordagens características de ambos os sacramentos ao mesmo tempo: “Deus desejou a salvação de todos e por essa razão entregou Seu Filho Unigênito para ser crucificado. Atualmente também deseja isso, visto que não foi por outro motivo que foram por Ele instituídos os sacramentos da Penitência e da Eucaristia, a não ser para que aqueles que, após a ablução pelo batismo e a purificação de todas as manchas da alma, novamente contraíram alguma culpa e se mancharam com o pecado, mortal ou venial, pela frequente e apropriada utilização desses sacramentos pudessem alcançar a expiação e purificar-se”. IC, p. 731. 68 IC, p. 1023. Esse mesmo pensamento, porém um pouco mais assinalado pelo simbolismo e pelas alusões a trechos da Sagrada Escritura que enfatizam a necessidade de “vestir-se de um homem novo” (cf. Rm 13:14), é apresentado por Papczyński numa outra passagem de Inspectio cordis: “Com razão a penitência não é reduzida ao sacramento do batismo. Às vezes, no entanto, ela é chamada de batismo. Porque, da mesma forma que todos os pecados são lavados na fonte batismal, também todas as culpas das transgressões posteriores são afastadas pela penitência. Da mesma forma que a serpente se introduz numa fenda muito estreita e lança fora a antiga pele para assumir a nova, também o pecador, tendo assumido a severa penitência, remove de si o homem velho, isto é, os maus costumes e os vícios antigos, e recupera a veste da inocência, segundo esta expressão de S. Paulo: ‘Vesti-vos do Senhor Jesus Cristo [Rm 13:14]’”. IC, p. 19-20. Como era próximo a Papczyński o ponto de vista acima exposto, pode ser confirmado pelo fato de que essa mesma abordagem do sacramento da penitência foi por ele apresentada

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