A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

183 3), concluídas igualmente com sentenças instrutivas38; regras relacionadas com a forma de vestir-se (itens 4 e 5), também entrelaçadas de frases de caráter educativo39, e prescrições a respeito da flagelação (item 6). Em suas pesquisas sobre os primórdios da legislação mariana, J. Kałowski MIC observa que algumas regulações detalhadas de Papczyński decorrem de disposições do direito eclesiástico universal daquele tempo (especialmente os jejuns), dos costumes religiosos universalmente vigentes no século XVII (especialmente a flagelação) e da necessária adaptação da Norma vitae ao estado eremítico, no qual na sua etapa inicial a Congregação foi aprovada (proibição do consumo da carne e de produtos dela provenientes)40. Sem dúvida, possui uma marca pessoal do Fundador a proibição de beber “aguardente” (“crematum”)41, o que – embora também seja característico do estado eremítico – na tradição da Congregação sempre tem sido considerado como uma mortificação característica da espiritualidade mariana. Parece que, isso se deve ao bastante catastrófico estado de espírito da sociedade polonesa do século XVII, que era bastante dada ao alcoolismo, em consequência da propinação42 Papczyński queria opor-se a esse fenômeno pela sobriedade pessoal dos religiosos e pela difusão do apostolado da sobriedade. Essa convicção se relaciona com a repetida proibição do consumo do álcool apresentada pelo Fundador, que buscava conferir a essa proibição também uma interpretação teológica. No Testamento segundo escreve ele: “Essa bebida, por misterioso amor divino, é alheia à nossa Congregação”43. Impõe uma ordem semelhante nas Disposições para o eremitério de Korabiew: “O consumo da aguardente, tanto fora como em casa, está proibido sob pena da perda da bênção divina, para honrar Cristo Senhor e Salvador nosso que sentiu sede na cruz”44. A presença da proibição acima nos 38 “E, quando pela abstinência subjugais o corpo, mais ainda procurai afastá-lo das transgressões. Porque jejua de forma desordenada quem subjuga a parte inferior negligenciando a superior, e ‘não é útil privar o corpo do alimento se o espírito não se afasta do pecado’”. NV IV, 3. A citação presente nesse trecho é identificada por K. Krzyżanowski MIC, tradutor de Norma vitae, como uma frase extraída do sermão de S. Leão Magno intitulado De Quadragesima, PL 54, 276 (n. 157). Cf. NV, p. 58 (nota 58). 39 Por exemplo, o item correspondente inicia-se desta forma: “Visto que a maciez do vestuário favorece não apenas o orgulho, mas também a concupiscência corporal, por isso vós...”; ou uma outra frase que encerra e de certa forma sintetiza as recomendações: “Porquanto uma pobreza suja não pode agradar a ninguém”. NV IV 4. 40 Cf. J. KAŁOWSKI MIC. Początki mariańskiego ustawodawstwa..., op. cit., p. 35-44. 41 A proibição correspondente diz: “A vossa bebida habitual deve ser a água, e se, de acordo com a vontade do superior, tiverdes alguma outra bebida, deveis consumi-la com moderação, com exceção da aguardente, que vos seja proibida”. NV IV 2. 42 Cf. A. WYCZAŃSKI. Polska Rzeczą Pospolitą Szlachecką. Warszawa, 1991, p. 291-304. 43 Bł. S. PAPCZYŃSKI. Testamentum Alterum....,, p. 1500. 44 K. Krzyżanowski observa que na cópia das Disposições o redator acrescentou uma frase que não faz parte do texto original, com o seguinte teor: “O que na realidade até agora tem sido observado por to-

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