178 e com o “constante recolhimento”, recomendado em Norma vitae e tratado como uma espécie de fundamento tanto da própria oração como da vida espiritual. O Fundador dos marianos escreve: “O vosso constante recolhimento deve ser tal que em toda a parte reconheçais a presença de Deus, honrando-O, bendizendo-O e de tal forma, diante da Sua face, fiel e piedosamente permanecendo como convém que se comportem os servos na presença do Senhor. Procurai contemplar a Deus em todas as criaturas, não somente em vós mesmos, visto que é n’Ele que ‘vivemos, nos movemos e somos [At 17:28]’. Dessa forma Ele jamais se afastará da vossa consciência”22. Essa mesma postura de constante recolhimento em oração é abordado pela Regula decem beneplacitorum na categoria da virtude da piedade, que consiste em moldar em si “a arte e a ciência (“ars et scientia”) de louvor a Deus e da oração”. Como meios que servem para moldá-la, o autor primeiramente propõe a imitação de Maria no que Ela “pensava, dizia e fazia” em Seus comportamentos piedosos (cita também as descrições bíblicas da Sua oração: Lc 2:46ss – a oração do Magnificat; Lc 2:41ss – as visitas anuais ao templo de Jerusalém na festa da Páscoa; At 1:14ss – a permanência em oração com os Apóstolos), e depois adiciona uma série de diversas práticas piedosas, como a recitação do breviário ou do terço especial da Santíssima Virgem Maria (setenta e duas ave-marias e sete pais-nossos), a celebração e a ativa participação da santa missa, a recitação do terço das dez virtudes da SVM, a oração mental, a audição de sermões. Coroando os ensinamentos a respeito da oração, a regra enfatiza que as “almas consagradas a Deus” devem se empenhar por “possuir mais perfeitamente a virtude da oração”, para o que é muito útil “o amor à oração no coro e ao venerabilíssimo Sacramento da Eucaristia”23. do alto, vês mui claramente o que deves fazer, e também o que deves evitar: suportas todas as amarguras com doçura, e das coisas agradáveis te utilizas pronto a renunciar a elas. Tens a consciência limpa e vês a ti mesmo residindo num paraíso terrestre, que, como te parece, já encontraste para descansar e experimentar delícias. Quando rezas, tens a impressão de estar na presença dos anjos e por isso elevas as tuas orações com grande piedade, humildade e atenção. Já nada direi a respeito dos outros milhares de bens que te proporciona a presença divina. Mas, ao contrário, quando não tens diante do olhar a presença divina, quando da tua alma se afasta Jesus, aflige-te a tristeza, sentes a aridez, ficas perturbado, cambaleias e cais, mergulhas em todo o tipo até das maiores transgressões e parece-te que já te encontras no inferno ou próximo do inferno. Bem percebeu isso o autor que disse: ‘Estar sem Jesus é um terrível inferno, e estar com Jesus é um doce paraíso’. Vês, portanto, quanto deves apreciar a presença divina e, após receber o Senhor no Santo Banquete, com quanta diligência deves lembrar-te da Sua presença”. IC, p. 673-674. 22 NV V 1. É preciso observar que esse trecho, que em Norma vitae cumpre o papel de introdução ao capítulo dedicado à oração, fornecendo igualmente detalhadas práticas piedosas, é omitido pelos Statuta, que se restringem apenas a enumerar exatamente os exercícios espirituais. Em razão disso, em comparação com a Norma vitae os Statuta são bem mais pobres na camada teológico-ascética. Cf. Statuta IV 1-9. 23 Regula, p. 50.
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