172 1.1. Oração Abordando repetidas vezes a questão da oração, o beato Estanislau Papczyński e, com ele, os documentos da primitiva tradição da Congregação dos Padres Marianos não se dedicam a esclarecer a sua natureza. Parece que todos os autores pressupõem a sua compreensão geral entre os leitores e concentram-se em duas tendências: por um lado, através de símbolos, imagens ou breves reflexões teológico-ascéticas, procuram aprofundar a sua compreensão e estimular a ela; por outro lado, buscam demonstrar a obrigação da oração, juntamente com a definição do seu lugar na prática da vida religiosa, do seu gênero e do tempo da sua duração. O tom básico de todos os documentos aponta para certa necessidade vital da oração, aliada a um preceito mais interior que exterior, que se encerra no próprio cerne da espiritualidade religiosa. O caráter dialogal da vocação, na qual Cristo chama a um relacionamento com Ele e a seguir os Seus passos, exige uma atualização desse vínculo amoroso; é justamente a isso que serve a oração. Em razão disso, todas as fontes que definem a primitiva espiritualidade mariana dedicam à questão da oração partes especialmente destacadas: a Norma vitae chama de recolhimento interior (“De recollectione”) o capítulo que apresenta a natureza da oração, e fornece a relação das orações obrigatórias no capítulo intitulado “Horário”; os Statuta abordam a questão da oração no capítulo IV (“De oratione”), e a Regula decem beneplacitorum a examina no capítulo quinto, relacionado com a “virtude da piedade” de Maria. A Inspectio cordis, embora não destine à teoria da oração uma seção especial, é em certo sentido um guia prático de oração, visto que propõe conteúdos de oração e fornece a sua forma definida. Acontece também, por vezes, que o autor introduz certas instruções a esse respeito, querendo de certa forma familiarizar o leitor com a natureza da oração. Em meio às muitas representações dispersas da oração presentes em diversos textos relacionados com a espiritualidade religiosa, as mais características são aquelas de Inspectio cordis. Papczyński busca demonstrar que a oração é uma forma de “conviver com Deus”5, onde é essencial uma volta a Deus que envolva a pessoa toda, não apenas as suas faculdades espirituais, mas também os sentidos. Nos textos das reflexões contidas em Inspectio cordis, pode ser percebida uma sensível semelhança com os métodos de meditação do século XVII descritos por H. Wojtyska, que partem da percepção sensitiva (imaginação, visão, audição), passando pela gradual introdução de quem medita no mistério da fé examinado, 5 Numa das reflexões a respeito da necessidade da oração, afirma: “Quanto mais diligentemente e com maior frequência nos entregamos à oração, tanto mais frequentemente convivemos (“conversamur”) com Deus”. IC, p. 719; cf. também: IC, p. 673-674.
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