162 da sua vocação de fundador, decidiu subordinar a esse ideal a concepção da vida religiosa, conferindo à espiritualidade do Instituto fundado o caráter mariano no aspecto da Imaculada Conceição. A convicção a respeito do papel especial do mistério da Imaculada Conceição na vida cristã, inclusive na espiritualidade religiosa, foi inserida por Papczyński em seus ensinamentos. Entretanto, entre as obras suas que se preservaram, não possuímos nenhum tratado teológico sistematicamente elaborado, inclusive de caráter mariológico. Os elementos da sua doutrina imaculatista, embora bastante parcimoniosos, podem ser encontrados quase em todos os seus escritos, embora na sua maioria não endereçados diretamente a pessoas religiosas. De maneira geral, porém, torna-se perceptível uma frágil sistematização da teologia da Imaculada Conceição, o que pode ser também o efeito de nem todas as suas obras terem sido preservadas, inclusive as dedicadas à Imaculada Conceição101. Uma revisão formal da presença dos elementos da doutrina imaculatista nos escritos e documentos preservados do Pe. Estanislau Papczyński, abordados cada um em separado, foi realizada por D. Kwiatkowski MIC102. Na conclusão das suas pesquisas esse autor avalia que “a doutrina imaculatista do Servo de Deus, reconstruída a partir de pouco numerosos, mas bíblica, dogmática e asceticamente significativos trechos dos seus escritos e documentos, possui as seguintes características: encerra uma fundamentação lógico-racional (Epigrama), uma forte argumentação bíblica – com base no Livro do Gênesis (3: 15) e no Evangelho de S. Lucas (1: 28) – (Laus, Inspectio cordis) e uma argumentação teológico- -especulativa (Triumphus)”103. K. Pek MIC, por sua vez, pesquisando as formas de esclarecimento do mistério da Imaculada Conceição pelo beato Estanislau da influência da fascinação pela Imaculada Conceição sobre a concepção geral da espiritualidade cristã nas opiniões do beato Estanislau Papczyński. Mas uma análise mesmo superficial aponta para a existência de tal inter-relacionamento. Por exemplo: ao esboçar em Templum Dei mysticum a sua concepção de espiritualidade, sem dúvida alude à ideia dos “prévios méritos de Cristo”, por força dos quais Maria foi subtraída à lei do pecado original, quando escreve: “Mas, para saberes a que ponto por essa razão (isto é, em razão da dignidade do homem, abordada no capítulo) estás comprometido diante do teu Criador, ouve a admoestação de S. Ambrósio, que diz: ‘O homem foi criado graças ao propósito da Santíssima Trindade e à ação da Majestade Divina, para que compreenda, por ter sido honrado com o primeiro lugar, quanto deve ao seu Criador e tanto mais ardentemente O ame quanto mais compreender quão milagrosamente foi por Ele criado’. O que mais? Que, para a nossa criação, já contaminada pelo pecado, acrescentou ainda a santificação e – como que cobrindo com placas de ouro o Seu santuário – iluminou-nos com a luz da Sua graça e inteiramente nos consagrou a si quando, lavados na sagrada fonte, devolveu-nos a primitiva justiça. ‘Por isso, irmãos caríssimos – assim nos estimula S. Agostinho – visto que não foi em razão de quaisquer méritos anteriores, mas em razão da graça divina que nos pudemos tornar um templo de Deus, com a Sua ajuda procuremos, na medida das nossas forças, que nosso Senhor em Seu templo, ou seja, em nós mesmos, não encontre nada que possa ofender o olhar de Sua Majestade’”. TDM, p. 1082. 101 Cf. T. ROGALEWSKI MIC. Stanisław Papczyński..., op. cit., p. 366-368. 102 D. KWIATKOWSKI MIC. Niepokalane Poczęcie Najświętszej Maryi Panny według ojca Stanisława Papczyńskiego (1631-1701). Warszawa-Lublin, 2004. 103 Ibidem, p. 140.
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