A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

157 adicionalmente a sua convicção pessoal a respeito do significado dessa verdade da fé na história da salvação do homem, mas sobretudo relaciona-a com a espiritualidade da comunidade por ele fundada. Já no primeiro capítulo de Norma vitae, escrita em 1672, logo após falar do objetivo geral, comum a todas as ordens, que é o desvelo pelo “maior crescimento da glória divina”, aliado à “séria busca da perfeição”, informa que para a comunidade dos marianos o apropriado fim específico é a “promoção do culto (“cultum promovere”) da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Mãe de Deus na medida das forças” dos seus membros, o sufrágio pela oração, “com o máximo esforço, piedade e entusiasmo, das almas dos fiéis falecidos submetidas aos castigos do purgatório, especialmente as dos soldados e das vítimas da peste”, bem como a solicitude pela “humilde ajuda aos párocos nos trabalhos eclesiásticos”84. Em relação à Oblatio, os objetivos traçados nos primeiros estatutos marianos são ampliados em dois elementos sucessivos. E na própria fórmula da profissão religiosa, presente em Norma vitae, o Fundador dos marianos alude apenas a dois dentre os três objetivos mencionados, isto é, à difusão da “honra da Predileta Virgem” e à “assistência aos falecidos privados de ajuda”. Mas não fala da ajuda proporcionada aos párocos. No entanto, o existente relacionamento desses três elementos, tanto na espiritualidade como na prática da vida do Fundador e dos seus primeiros companheiros, bem como na construção legal dos primeiros estatutos religiosos, parece indicar que o beato Estanislau Papczyński via a dependência entre eles existente e a sua lógica interna. Visto que o pensamento de promover a honra da Imaculada Conceição surgiu como cronologicamente o primeiro e fundamental, o que se confirma também pelo título da Congregação, pode-se dizer que em certo sentido esse ideal o conduziu à compreensão da necessidade de prestar ajuda aos falecidos e de promover expressavam a fé na Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria: 1) o voto comum da defesa da Imaculada Conceição pela palavra e pela escrita, no sentido de que Maria foi concebida sem o pecado original; 2) o voto de sangue em honra da subtração da Maria à lei da herança do pecado original: Ela nunca foi atingida pela mácula do pecado original; 3) o voto de sangue em honra de Maria, na defesa da tese de que Ela absolutamente não devia estar sujeita ao pecado”. O primeiro era popular na Bélgica, França, Espanha, em algumas cidades da Itália e na Polônia; pronunciavam-se a favor dele principalmente os beneditinos de Salzburgo e os franciscanos. Esse voto era professado pelo sodalício mariano e pela nobreza, e era sem o engajamento “até o derramamento do próprio sangue”. O segundo era o típico voto de sangue para a defesa da fé na Imaculada Conceição em caso de necessidade, surgido no início do século XVII na Espanha. Contava com muitos partidários, e era professado tanto individualmente como em comunidades (p. ex. confrarias), e para a sua divulgação contribuíram os jesuítas e os franciscanos. O terceiro é uma espécie de compromisso com a defesa não apenas da Imaculada Conceição, mas também da não necessidade de Maria ter contraído o pecado original. Embora os citados autores não informem em suas pesquisas qual desses três votos foi professado por Papczyński durante a Oblatio, parece ter sido o segundo. Cf. M. PISARZAK MIC, Z. PROCZEK MIC. Niepokalana, ślub krwi i świadectwo marianów. Salvatoris Mater 6 (2004), n. 1, p. 231-259. 84 NV, I 2, 3; cf. J. KAŁOWSKI MIC. Pierwsze konstytucje zakonu marianów..., op. cit., p. 121.

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