A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

154 a Maria são abordadas em forma de adjetivos, no grau superlativo: castíssima, prudentíssima, etc. Parece que o autor quer dessa forma demonstrar que Maria as praticou no grau mais elevado e que é o mais perfeito modelo das virtudes examinadas, graças ao que Ela era a que mais agradou a Cristo. Por isso, aqueles que querem encontrar-se no círculo da predileção de Cristo devem assumir o mesmo caminho da prática das virtudes que lhes é apresentado pela regra. Essa tese é confirmada pela convicção do autor de que “as pessoas que pertencem a esta ordem são e chamam-se especiais e singulares imitadores de Maria Virgem”76, devendo por isso assumir a prática da Sua fiel imitação, a fim de serem agradáveis a Deus, assim como Ela foi agradável a Ele. Cada uma das dez virtudes de Maria enumeradas e analisadas, que têm ─ na opinião do autor ─ a sua fonte evangélica, devem “ser imitadas de tríplice maneira”, isto é, “no que Maria pensava, dizia e fazia”77. No “Prólogo” o autor, dirigindo-se aos religiosos, esclarece o que tem em mente ao utilizar as definições acima e afirma que a Santíssima Virgem “deve ser imitada de tríplice maneira: com o coração, com os lábios e com a ação”. Nisso percebe toda perfeição religiosa, apontando na ocasião que a forma descrita da imitação de Maria é o objetivo a que serve a regra78. Além das referências evangélicas da regra, enumeradas tanto nas citações bíblicas como na convicção do seu autor, o que muitas vezes ele expressa no texto, percebem alguns a influência da experiência espiritual de Santa Joana de Valois sobre o surgimento e o formato definitivo da regra. Na opinião de H. Jacobs, o fato de que o amor da Santa a Jesus e Maria não era apenas um sentimento, mas expressava-se sobretudo na vida concreta, levou-a à descoberta da graça específica que é o ativo amor a Maria apresentado em Suas virtudes, bem como o empenho pessoal em imitá-las. Os biógrafos informam que a Santa tinha inicialmente o costume de recitar por dez vezes a Ave-Maria, o que com o tempo a levou à descoberta das dez virtudes de Maria e da total entrega de si mesma a Nossa Senhora e, depois, à fundação de uma nova comunidade religiosa, entregue a Maria e dedicada à imitação da Sua vida, em todos os seus aspectos. As pessoas que assumem a vida religiosa baseada na regra da imitação das virtudes de Maria “entregam-se ao serviço de Maria dia e noite”, procurando assemelhar76 Ibidem, p. 53. 77 É interessante que no “Prologus” a regra fornece uma “quádrupla” forma de imitar a Maria: “Naquilo que a Virgem possuía, pensava, dizia ou fazia. Na continuidade, porém, não ocorre a referência ao que “possuía” (“habuisse”) e, por isso, fala-se de uma tríplice maneira de imitar as dez virtudes de Maria. Ibidem, p. 45-54. 78 Visto que o trecho citado faz parte das expressões mais características, vale a pena fornecer uma citação mais longa: “Has Decem Virtutes, quas (teste Evangelio) Virgo habuit, debetis habere et omnia, quae per illas Virgo legitur cogitasse, dixisse, aut fecisse, debetis cogitare, et facere, et ita secundum quamlibet harum Virtutum tripliciter debetis Virginem imitari: corde, ore et opere, in quo perfecte stat, et consistit omnis perfectio, et Regulae Vestrae vera completio”. Ibidem, p. 45.

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