A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

128 soprar de impetuoso vendaval, e encheu toda a casa onde se achavam”, observa que o acontecimento comentado é sem dúvida “a vinda do Espírito Santo”, o que é confirmado pelas circunstâncias com isso relacionadas: “1) visto que as precedeu a tristeza do coração, segundo as palavras do Senhor: ‘A tristeza encheu os vossos corações’ [Jo 16: 6]; 2) quando Ele vinha, fez-se ouvir um grande ruído; 3) não vinha de outra parte a não ser do céu”. Continuando o seu pensamento, enfatiza que essas coisas constituem o critério para o reconhecimento (“ratio cognoscendorum”) dos espíritos divinos, porquanto, se as precede a aflição, isso é um sinal apropriado da graça divina que deve ser concedida à alma humana, como alguém o disse: “’Quase nunca estamos mais próximos de Deus do que quando nos encontramos na aflição’115. E Naum diz: ‘Na tormenta e na tempestade é o seu caminho’ (Na 1: 3). O Espírito vem ao homem com ruído e murmúrio quando a alma está perturbada, atemorizada e contrita. Finalmente, vem também do céu, enviado por Cristo Senhor, daquela fortaleza imortal do Senhor Celestial triunfante. Porquanto os eflúvios dos espíritos maus que saem do pântano infernal – digo eu – chegam à alma em forma de suaves sussurros, agradavelmente a acariciam, mas, após se afastarem, deixam milhares de remorsos de consciência, milhares de ferrões, milhares das dores mais cruéis. Ao contrário, é claro, o Espírito do Senhor, precedido pelo tormento, vem no ruído com um murmúrio; Ele, no entanto, deixa vestígios em forma de alegrias, milhares de consolos, milhares de frutos e milhares de bens”116. E, recorrendo à autoridade de S. Paulo, o Fundador dos marianos aponta não apenas para as extraordinárias experiências espirituais descritas pelo autor dos Atos dos Apóstolos, mas igualmente para as cotidianas formas de comportamento em que se manifesta o poder do Espírito Santo e a submissão do homem. Em Inspectio cordis Papczyński denomina-as “marcas do Espírito Santo”. São elas: “a alegria, a paz, a sabedoria, a paciência, a humildade, a ponderação, a fidelidade e outras virtudes semelhantes [cf. Gl 5: 22]”117. Juntamente com o amor sobrenatural – a “charitas” −, que é o primeiro dom do Espírito, essas “marcas” identificam-se com a postura de Cristo e, como tais, são ao mesmo tempo “marcas” de assimilação a Ele. Na sua concepção de espiritualidade religiosa, o beato Estanislau Papczyński chama a atenção para os critérios da vida “segundo o Espírito”. Lembrado da 115 Na edição crítica de Inspectio cordis, K. Krzyżanowski MIC localiza essa citação como extraída de: H. DREXELIUS SI. Gymnasium patientiae. In: Idem. Opera omnia, t. II. Antverpiae, 1643, p. 10. Cf. IC, p. 123 (nota n. 87). 116 IC, p. 725-726. 117 IC, p. 701. Os “signa Spiritus sanctus” citados no trecho citado são apresentados ou analisados como evidentes e universalmente conhecidos, porque baseados na autoridade bíblica, em muitas passagens de Inspectio cordis, bem como em outros escritos de Papczyński e da primitiva tradição da Congregação dos Padres Marianos. Cf. IC, p. 883-884, 973 e outras. Cf. também: Statuta, I 4, II 2, VI 2, X 6; Vita Fundatoris, p. 639, 642.

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