A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

119 todos aqueles que seguem os Seus passos assemelham-se a Ele e libertam-se do domínio do pecado para que, vivendo pelo Pai, cumpram a Sua vontade. No processo da conformidade, possui um significado fundamental o sacramento do batismo, através do qual o homem “renascido” torna-se indissoluvelmente unido com Cristo83. No entanto assume um significado especial a consagração religiosa, graças à qual o homem, de certa forma mais conscientemente e por uma nova razão, unindo-se a Cristo, procura assemelhar-se a Ele em todas as dimensões da vida. Papczyński via a fundamentação interior dos votos religiosos na “imitação do Cristo crucificado” (“sequere crucifixum”), visto que apenas aqueles que “com amor abraçaram a Sua cruz” tornam-se a Ele semelhantes e “ocuparão o lugar do lado direito do Crucificado” em Seu reino84. Embora Papczyński em princípio não se preocupasse em criar uma definição de vida religiosa, as suas poucas definições que poderiam cumprir esse papel relacionam-se com o ideal da “sequela Christi”. Em Inspectio cordis, afirma ele que os religiosos são “confessores de Cristo” que, “tendo assumido os conselhos evangélicos, fazem a profissão segundo a regra apostólica e se esforçam (“contendere”) por fielmente (“exacte”) imitar a vida de Cristo Senhor”85. Ainda que os seguidores de Cristo atinjam a plenitude da assimilação a Ele somente na vida eterna, algumas características suas são visíveis já aqui na terra e cumprem ao mesmo tempo a função de sinais da autêntica imitação de Cristo. Comentando a conversão de S. Paulo, Papczyński afirma que, entre as marcas características da plenitude da assimilação, deve ser incluído o progressivo processo da “transformação (“vertere”) de homem corporal em espiritual”, aliado à passagem da vida segundo as “paixões”, os “desejos terrenos” e a “vontade própria” em direção à obediência a Deus, à busca da assimilação com Ele e à procura constante da Sua vontade, à prática das virtudes a exemplo de Cristo, à “transformação pela renovação da mente” (cf. Rm 12: 2) e, finalmente, à contemplação “das coisas do alto, não das da terra” (cf. Cl 3: 2)86. O cristocentrismo presente na espiritualidade polonesa do século XVII assumia as formas conhecidas na Europa, mas também, de alguma forma, características da República Polonesa, como por exemplo o culto à Humanidade de Cristo aliado à devoção ao Coração de Jesus. Um representante dessa corrente, tanto na área da produção teológica como na da influência sobre o formato da espiritualidade polonesa daquele período, foi Gaspar Drużbicki87. Nos escritos 83 Ibidem, p. 859. Cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Koncepcja życia chrześcijańskiego..., op. cit., p. 42. 84 IC, p. 611, 673-676, 707. 85 Ibidem, p. 846. Cf. A. PAKUŁA MIC. Naśladowanie Chrystusa... , op. cit., p. 132-133. 86 IC, p. 827-828, 964. 87 Cf. J. MISIUREK. Il cuore di Gesù e la santissima Trinità alla luce del pensiero di Gaspare

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