71 no convento de Mariampol, foram os portadores e os porta-vozes da fé, os criadores da tradição mariana que difundiam o culto da Imaculada, que rezavam pelos falecidos e que promoviam a ação pastoral. Abraão fica espantado com o chamado divino. Uma surpresa semelhante para a Ordem que renascia e que formava as suas fileiras foi o convite para trabalhar na China. Abraão foi convocado a emigrar (cf. Gn 12-22). Era o incessante sai!, que se realiza em níveis diversos, cada vez mais profundos. Sai de tua terra! Ele teve de partir da sua terra tendo uma única orientação: “para a terra que eu vou te mostrar” (Gn 12,1). Até então era a família de Abraão que decidia o roteiro da viagem e o lugar do estabelecimento – agora é Alguém outro que assume a direção. Abraão “partiu, sem saber para onde iria” (Hb 11,7), via diante de si apenas os próximos metros do caminho percorrido – sentia que somente Deus conhecia o destino. Sabia também que nunca mais voltaria, que morreria na terra desconhecida, vivendo como emigrante em meio a um povo estranho. Sempre como estranho, nunca como “seu”..., tendo-se declarado estrangeiro e peregrino na terra que habitava (cf. Hb 11,13). Abraão permite que Deus radicalmente o “desenraize” de tudo que alguém tem como caro e próximo, até de uma nítida visão do futuro. Sai da lógica da mente – diz Deus a Abraão! “Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz! [...] Assim será tua descendência” (Gn 15,5). Essas palavras foram ouvidas por um homem sem filhos, que tinha 75 anos quando saiu de Harã... Parece que Deus havia esquecido as leis da fisiologia: o velho Abraão, a velha Sara. Eles nunca poderiam ter um filho! Mas não, Ele não esqueceu, Ele simplesmente é capaz de suspender as leis que instituiu para apresentar ao ser humano a verdade de que “para Deus nada é impossível” (Lc 1,37). “A teus descendentes darei esta terra”... (Gn 15,18). De fato, podese dar um trecho de mato ou de deserto para alguém se estabelecer, mas como se pode prometer uma terra habitada por muitos povos valorosos?! E o que vai acontecer com aqueles que ali já residem? Como acreditar numa promessa que parece ser impossível?! Um filho a um indivíduo idoso, uma terra já habitada para os seus descendentes – será isso uma promessa, ou antes uma estranha brincadeira?
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