63 A oração do Beato Jorge envolvia as questões pessoais, mas também toda a Igreja, e dentro dela a comunidade mariana, à qual ele incansavelmente convidava sobretudo os padres. Trata-se de uma prova de que a Páscoa de Cristo capacita ao pensamento e à ação comunitária: “O que desejava Cristo? Fundar o Reino de Deus na terra, isto é, a nossa santa Igreja. Por qual caminho se dirigia a isso? Pelo caminho da total abnegação, das dificuldades, da pobreza, da humilhação, da perseguição, do sofrimento. E trilhou esse caminho enquanto não inclinou a Sua cabeça, pregado à cruz. O que resulta disso? A obrigação para cada um de nós de, tendo voluntária e inteiramente renunciado a si mesmo, sem restrições entregar-se e sacrificar-se pela Igreja” (D 2). A contemplação da cruz de Cristo faz com que as dificuldades pessoais não se transformem em desesperadoras: “Sinto quase a mesma coisa quando aperto ao coração e ao peito a Vossa santa cruz. Graças Vos dou, Senhor, por tudo. Deus, meu Deus, como Vos amo e desejo amar-vos! Permiti que eu possa trabalhar e sofrer por Vós, pela Vossa santa Igreja e pelo seu chefe visível – o Santo Padre” (D. 42). A oração de Jesus Cristo no Cenáculo distingue-se pelo fato de que, na perspectiva da ameaça da vida e da morte, primeiramente Ele agradece pela situação em que se encontra. Parece que esse Espírito de Cristo fazia com que o Beato Jorge não pensasse em grandes planos e obras, mas que se concentrasse em coisas pequenas de forma grande: “Sejam-Vos dadas, meu Deus, a glória e a ação de graças. Sejam dadas glória e ação de graças a Jesus Cristo, que nos ensina a carregar toda cruz. Graças dou igualmente à Santíssima Virgem, Intercessora e Auxiliadora de todos os oprimidos. Quantas vezes se apossou diante de mim o desalento diante dos vários tipos de obstáculos que se apresentavam! Era como se alguém tivesse cortado as minhas pernas, seguir adiante parecia ultrapassar as minhas forças. Mas Vós, Senhor, continuamente me fortalecíeis. Quando me envolveram as trevas, Vós, a exemplo de Vosso Filho Jesus Cristo, me iluminastes o caminho como a melhor das estrelas. Vós me revigoráveis incessantemente e consoláveis com grandes graças. Meu Deus, com que então eu, miserável, poderei retribuir-Vos pelo que por mim fizestes e me concedestes? Tomarei a cruz de Vosso Filho, que Ele se dignou bondosamente me impor, e vou carregá-la. Ó Jesus, permiti que eu me entregue à Vossa Igreja e à sal-
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